RÁDIO PRESS
07/08/2026
TRUMP LANDS IN TURKEY AND EUROPE HOLDS ITS BREATH 🇹🇷
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He arrived in Ankara today for the NATO summit. The mood among allies is somewhere between relief and dread.
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The U.S. ambassador to NATO said it plainly: America will now "do less" in Europe because Europe needs to take over its own defense.
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Trump threatened to skip the summit altogether. He came only because the host is Erdogan, a leader he openly admires.
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He is demanding every member reach 5% of GDP in defense spending.
Most are nowhere close, and he threatened Spain with a full trade cutoff for refusing.
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The Meloni feud is still live. Days before flying out, Trump posted "RESTRAINING ORDER NEEDED" on Truth Social with her photo.
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If the U.S. pulls back from Europe, who fills the gap?
07/08/2026
07/05/2026
Para Mim Ganharam o Mundial
Podem dizer-me quantas vezes quiserem que a Argentina ganhou por 3-2. Digam-no devagar. Escrevam-no em letras garrafais. Gravem-no em pedra. Publiquem em todos os jornais desportivos à volta do mundo. Não me aquece nem me arrefece. Para mim, Cabo Verde ganhou o Mundial. Acabou a conversa. A taça? Fiquem com ela. O ouro dá muito trabalho para limpar.
Há derrotas que cheiram a funeral e vitórias que tresandam a perfume barato. Esta foi uma derrota que sabe a eternidade. Uma dessas raridades que aparecem de décadas a décadas, como um cometa ou um político a cumprir promessas.
Vi cento e vinte minutos de homens a correrem uns pelos outros. Que conceito extravagante nos dias de hoje. Uns pelos outros. Não pelas estatísticas. Não pelo próximo contrato. Não pela fotografia com o patrocinador. Uns pelos outros. Parece poesia. E era.
Enquanto do outro lado desfilavam estrelas milionárias, salários que podiam acabar com a fome e miséria em pequenos países e egos gigantes que necessitam de permissão da torre de controle para a aterragem, apareceu Cabo Verde. Sem fanfarras. Sem vedetas que acreditam que todos os santos e apóstolos fazem fila para lhes pedirem selfies e autógrafos.
E que bela diferença.
É refrescante assistir a uma equipa onde ninguém parece disputar o campeonato nacional da vaidade. Hoje em dia há jogadores que celebram um golo como se tivessem descoberto a penicilina ou o caminho marítimo para a Índia. Olham para a câmara. Beijam o símbolo... até surgir outra equipa que pague melhor. Juram amor eterno... até terça-feira. A camisola pesa menos do que a carteira. A fidelidade dura menos do que as promoções dos hipermercados.
Depois aparece Cabo Verde e estraga a história toda.
Que chatice para os vendedores do futebol industrial.
Uma selecção que pela primeira vez entra no Mundial. Invicta na fase de grupos. Sem espalhafato. Sem conferências de imprensa onde se explica a solidez do projecto com uma confiança inabalável.
E depois veio a Argentina. A campeã do mundo. Um colosso. Um daqueles gigantes que fazem os oponentes pedir desculpa mesmo antes de entrar em campo.
Mas isso não foi explicado aos cabo-verdianos.
Deroy Duarte escreveu história como quem escreve um poema à pressa antes que a realidade acorde. Sidny Lopes Cabral desenhou o empate num remate em arco tão bonito que durante uns segundos até o tempo pareceu parar. Do outro lado estava um dos melhores guarda-redes do planeta. Ficou a olhar.
E Vozinha...
Chamem-lhe guarda-redes se quiserem. Eu prefiro acreditar que fecharam um felino dentro da baliza e lhe deram luvas. Houve bolas que desafiaram todas as leis da física e encontraram apenas aquele homem.
E Bubista? Extraordinário.
Enquanto muitos treinadores parecem administradores de empresas falidas, a debitarem expressões suficientemente complicadas para fazer adormecer um contabilista hiperactivo, Bubista teve uma ousadia escandalosa. Pediu aos jogadores que desfrutassem.
Desfrutarem.
Imaginem semelhante heresia.
Nada de optimizar recursos humanos. Nada de potenciar sinergias competitivas. Apenas que desfrutem.
Toda a sua genialidade resumida apenas numa palavra.
É exactamente por tudo isto que a equipa de Cabo Verde vale mais do que muitas que erguem taças e ganham títulos. Porque ainda acreditam naquela rara ideia de que o futebol pertence aos jogadores e não aos accionistas. Aos adeptos e não aos departamentos de marketing. À emoção e não aos contabilistas que fazem estimativas de quantas camisolas se vendem antes de cada jogo.
Hoje o mundo do futebol tornou-se um gigantesco centro comercial onde, por acaso, também se joga à bola. Tudo se compra. Tudo se vende. O silêncio vende. A indignação vende. As lágrimas vendem. Até as polêmicas fabricadas para alimentar as redes sociais.
Falta apenas patrocinarem os abraços. E talvez até isso já aconteça.
Entretanto, em um cantinho desse circo milionário, apareceu um arquipélago minúsculo a lembrar ao planeta inteiro o que muitos já não se lembravam. Humildade. Carácter. Espírito de grupo. Respeito. Alegria. Coragem. Palavras antigas.
É impossível não gostar desta equipa.
Não é uma equipa perfeita. As equipas perfeitas são extremamente enfadonhas. Gostamos delas durante cinco minutos e depois mudamos de canal. Cabo Verde conquistou outra coisa. Conquistou respeito. Daquele verdadeiro. Não daquele imposto pelos patrocinadores ou quantidades de likes nas redes sociais. O respeito que nasce quando onze homens se recusam a vergar em fronte doutros onzes que valem centenas de milhões.
Chamem-me romântico. Chamem-me ingénuo. Já me chamaram outras coisas piores e às vezes até tinham razão.
Já deixei de acreditar nos resultados oficiais há muito tempo. O futebol moderno gosta muito de números. Eu continuo a preferir pessoas.
Os noticiários dirão que Cabo Verde perdeu a eliminatória, na minha lembrança aconteceu exactamente o contrário.
Nas crônicas da história dos mundiais estará escrito um 3-2. Na minha memória estarão cento e vinte minutos de dignidade..
Por isso, façam o favor de entregar a taça a quem entenderem. Organizem as cerimónias. Disparem os foguetes. Ponham as medalhas ao pescoço de quem quiserem.
Para mim, os campeões do mundo chamam-se Cabo Verde.
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