Enquadro do dia
09/05/2017
A persistência da memória - Salvador Dalí
1931 (óleo sobre bronze, 24 x 33 cm)
Você já viu esse quadro! Mas o que VÊ nele? Três relógios, que marcam horários diferentes, derretendo. Um sobre uma árvore seca, outro sobre uma superfície plana e o último, sobre uma figura humana retorcida com os olhos fechados, representação do sonho ou persistência do tempo aos olhos de quem dorme - e também um auto-retrato de Dalí. Ao fundo da imagem, sem nenhuma distorção, uma paisagem de Barcelona, lugar onde ele viveu. As únicas formas de vida nesse quadro são a mosca, em cima do primeiro relógio à esquerda, e as formigas, em cima do relógio laranja, no primeiro plano, canto esquerdo. Dalí odiava formigas e as representava como símbolo da putrefação, a que a mosca é comumente relacionada.
Pensando nos elementos principais desse quadro: relógios que derretem, um homem que dorme, insetos que representam a putrefação, decadência; que conclusões podemos tirar dos desejos de interpretação de Dalí a respeito de "A persistência da memória"?
O que o tempo, a decadência, o sono e a memória têm em comum, para você?
Como a esposa de Dalí disse: "ninguém pode esquecer dessa obra, uma vez vista".
Por indicação da Rafaela Bail. Quer ver um quadro aqui? Comente ;)
08/24/2017
Mulata - Alfredo Volpi
1927 (óleo sobre tela, 59,6 x 50 cm)
Alfredo Volpi nasceu na Itália, mas se considerava um pintor brasileiro, pois chegou ao Brasil com um ano de idade.
O quadro é um dos primeiros a possuir referências modernistas. A impressão é de que Volpi retratou a mulher enquanto ela se virava, bruscamente. Dizem que a mulher que posa para esse quadro é Judite, o grande amor de sua vida, com quem foi casado por quase 30 anos, quando ela morreu, em 1972.
Foi um homem bem simples, mas provavelmente você já viu um quadro dele por aí. Não se lembra? Nem de um quadro de bandeirinhas? :) Volpi pintou vários, mas dizia que quem pintava bandeirinhas era seu amigo Fulvio Penacchi. Ele pintava apenas formas e cores.
"Sempre pintei o que senti, a minha pintura aos poucos foi se transformando, começa com a natureza, depois aos poucos vai saindo fora, às vezes continua, eu nunca penso no que estou fazendo. Penso só no problema da linha, da forma, da cor. Nada mais..." Alfredo Volpi
08/19/2017
Cristo abençoador - Jean Auguste Dominique Ingres
1834 (óleo sobre tela, 80 x 66 cm)
Cristo Abençoador, além de remontar à uma narrativa bíblica, muito comum nas obras neoclássicas francesas, traz o Cristo com as mãos abertas e voltadas para cima, da mesma maneira como era retratado nos primórdios do cristianismo, no momento em que ensinava a orar o Pai Nosso.
Ingres foi aluno de Jacques Louis David e desde o início foi um artista muito requisitado, principalmente para fazer retratos. Passou 14 anos na Itália e quando retornou à França, consagrou-se como o maior artista francês. É um dos maiores nomes do neoclassicismo e se considerava um dos guardiões da arte acadêmica, um conservador da boa doutrina.
Essa quadro está no MASP, em São Paulo, junto com o quadro "A virgem do véu azul", também do Ingres (disponível em: http://masp.art.br/masp2010/acervo_detalheobra.php?id=218). Vale uma visita!
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