Rod Maia
03/12/2026
08/16/2025
LUTO e LUTA
Rod Maia
Já falo com naturalidade sobre a tua ausência
Como se a tua ausência não me consumisse os dias
E não tivesse se tornado esse nó na garganta que me sufoca à noite
E me faz suar frio durante o sono
Ou como se não fosse como dor que punge
Tal qual uma navalha cravada embaixo da unha
Ou como a lembrança repetitiva
Do instante da morte dos nossos cachorros
Já falo com naturalidade dessa lacuna
Desse embuste, dessa morte em vida
Daquilo que me foi mais caro durante os melhores anos da minha juventude
Quando costumávamos celebrar os aniversários e a saúde
Quando costumávamos festejar a vida e o amor
Quando teimávamos em fazer da alegria a trilha sonora da existência
Quando nem notávamos que, por si só
O destino já fazia contagem regressiva
A emboscada do porvir já se preparava
O tempo, traiçoeiro e atroz
Apunhalou pelas costas a saúde e a alegria
Atacou-as juntas, sem chances de defesa
O destino, com seu rifle, já nos mirava
Sá**co, já nos tinha como alvo...
Já lembro, sem chorar
Do cheiro de bolo na casa
Do riso solto e das bobagens que dizíamos um ao outro
Feito crianças bobas
De todo o teu tino e do meu desatino
De quando te conheci e paralisei
Com o teu sorriso e o teu olhar
Hoje, mero retrato pendurado na parede da minha saudade
Hoje, poema que o tempo ousou rasgar e queimar
Hoje, sentimento soterrado sob a avalanche dos enganos
Já lembro, já inspiro e expiro, já consigo outra vez sorrir
Apesar dos tempos sombrios e do peso dos dias
A estrela-guia me ilumina os caminhos
E me faz resistir.
07/29/2025
VOLTAR PARA ONDE?
Rod Maia
Todos quando perdem
Todos quando são derrotados
Todos quando levam porrada
Todos quando são achincalhados
Têm um lugar além da rua
Têm para onde voltar
Têm o colo de uma mãe
O abraço de um pai
O olhar terno de uma avó
Todos quando levam chutes
Empurrões, rasteiras, cusparadas
Têm um teto a lhes abrigar
Têm uma cama a lhes esperar
E um prato de comida sobre a mesa
Voltar pra onde?
Se tudo foi jogado ao mar
Até o xale branco bordado à mão
Até mesmo a chaleira que herdei de minha avó
Voltar para onde?
Se o endereço se apagou
E a casa, dizem alguns
Foi coberta por teias de ar**ha e
virou um ninho de insetos
Outros dizem, foi arrastada pela fúria do rio
E outros ainda afirmam que
Foi totalmente consumida por cupins
O certo é que da casa
Não resta teto, parede, porta ou janela
Até as ruas a correnteza levou
A vida que tanto já me negou ou usurpou
O teto, o abraço, o cafuné, a proteção
A inocência, a infância, a fantasia
O presente de Natal, o berço
A vida, mais uma vez me joga na sarjeta
E, traiçoeiramente me rouba
A compreensão e o carinho de quem amei
E a quem dediquei meus melhores anos
E, mais uma vez me nega
O cuidado e o olhar misericordioso
Sobre este corpo doente que luta
Sobre este corpo que nunca se rendeu
Sobre este farrapo parvo
Que mais uma vez habita o oco, a fresta, o vazio
E paira sobre a vida
Sem ter aonde pousar.
07/27/2025
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TE REENCONTREI EM SINTRA Quem és tu? Porque aqui estás? Qual o teu propósito no mundo? Na teimosia em seres tu Resolveste aceitar todas as taças queb...
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