Espaço Azul e Branco

Espaço Azul e Branco

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21/07/2020

À meia dúzia é mais barato: análise a um FC Porto de primeira categoria mas que só arranca quando (se) mete a segunda.

Individualmente e coletivamente, ontem foi noite de espetáculo no Estádio do Dragão (nota negativa apenas para o estádio vazio, tal como Sérgio Conceição lamentou no final da partida). Se a primeira parte voltou a ser cinzenta, a segunda pintou-se de azul e branco, num verdadeiro "show de bola" dos dragões.

O FC Porto entrou forte e pressionante na 1ª parte no seu habitual 4-4-2 (com Corona mais perto de Marega no corredor central, Diaz a partir da esquerda e Fábio Vieira a partir da direita) de acordo com o que Sérgio preconiza para a equipa e conseguiu um golo madrugador logo aos quatro minutos, com Otávio (esteve em todo o lado, que jogão do médio canarinho!) num passe de classe para Alex e este encetou (mais) um cruzamento certeiro para a cabeça de Díaz (que no papel jogava à esquerda mas apareceu por dentro por diversas vezes quer sem bola quer com ela, em zonas interiores, em movimentos de rutura ou em condução de bola, em ambos os casos de fora para dentro). Realçar neste primeiro golo, os movimentos sem bola de Marega a atacar o primeiro poste, Corona na zona de penalty e Fábio ao 2º poste, o que permitiu a abertura de espaço para que Díaz aparecesse e marcasse o primeiro dos dragões. 1-0 e o campeão descansou. E descansou tanto que permitiu que o Moreirense crescesse no jogo e chegasse ao empate por intermédio de um excelente cruzamento de Conté para Fábio Abreu apontar o seu 13º golo nesta edição da Liga NOS (ponta de lança bastante interessante e que mostra credenciais para jogar num patamar mais elevado). Contudo e não tirando mérito à equipa de Ricardo Soares, muita passividade de Manafá e Fábio Vieira (sobretudo do primeiro) que demoraram a encurtar distâncias para o portador da bola, fechando de forma inef**az aquele corredor direito, dando todo o tempo e espaço para Abdu Conté receber, pensar e executar. Diogo Leite também não f**a bem na fotografia já que preocupou-se única e exclusivamente com a bola e não acompanha o movimento da restante linha defensiva, gerando um erro de posicionamento que não o coloca numa boa posição para disputar o duelo aéreo com o ponta de lança angolano dos cónegos. Talvez pelo seu comportamento sem bola e pelo pouco que estava a acrescentar até então com a mesma, Sérgio opta por retirar Fábio Vieira aos 37 minutos do desafio porque sentiu que o Moreirense estava a conseguir entrar com grande facilidade no bloco portista, equilibrando inclusive o jogo, o que obviamente não agradava ao técnico azul e branco. Entrou Uribe e Corona encostou à direita, passando os azuis e brancos a jogar em 4-3-3 com o intuito de reforçar a zona central do meio campo com três homens intensos e fortes nos duelos físicos (Danilo, Uribe e Otávio) de forma a tentar recuperar o domínio de jogo que fugira desde que Luis Díaz faturou aos 4 minutos.

E, goste-se ou não, a estratégia do treinador portista resultou e na segunda parte tivemos direito a uma demonstração de bom futebol por parte dos campeões nacionais. O segundo golo surge cedo numa jogada simples e já habitual neste FC Porto: exploração do espaço enorme existente nas costas da última linha defensiva dos cónegos, Marega no ataque à profundidade, passe milimétrico de Tecatito a isolar o maliano que assiste Otávio, conseguindo este faturar após uma série de ressaltos; o terceiro é tirado a papel químico, só mudam os protagonistas: mais uma vez, desorganização defensiva do Moreirense, Otávio com um grande passe isola Luis Díaz que atacou o espaço entre central e lateral e ganhou penalty que Alex fez questão de atirar a contar. O quarto é mérito individual para Marega, que cobra um livre direto irrepreensível (sim, estão a ler bem é esse mesmo Marega!) sem hipóteses para Pasinato. A partir daqui começa o tiki-taka do campeão já com Tiquinho em campo, este que só teve de encostar para os dois golos: o quinto é talvez o golo da época após jogada coletiva de alta qualidade, envolvendo quase todos os dez jogadores de campo e o sexto resulta de uma jogada simples mas bastante bem conseguida (até porque culminou em golo obviamente).

Em todos os golos supra-mencionados e descritos, um denominador comum: parceria Díaz-Otávio. Dois craques que encheram o campo com as suas ações ofensivas. O colombiano mostrou a sua qualidade através da sua capacidade de explosão, do seu drible desconcertante e da sua tomada de decisão quase sempre acertada. Já o brasileiro mostrou que é no meio que joga e faz jogar. É um jogador tremendo a partir da posição de médio interior e é lá que deve exercer a sua maior influência sobretudo a nível ofensivo onde demonstra excelente relação com bola, definindo sempre com bastante qualidade e aparecendo muito bem no último terço, seja para assistir, seja para finalizar. Coletivamente, realçar (mais uma vez) os segundos 45 minutos do FC Porto: intenso e dinâmico em todos os momentos do jogo e sobretudo na sua organização ofensiva através de uma posse de bola progressiva mas bastante criteriosa.

Resumindo, vitória justa dos já coroados campeões portugueses, que entraram em campo mais soltos e descontraídos, jogando sem aquela pressão característica de um candidato ao título, o que de certa forma proporcionou o tal futebol mais positivo que faltou em muitos momentos da época (por exemplo, na Vila das Aves e em Famalicão). Pede-se "apenas" a esta equipa de Conceição que melhore os seus índices de qualidade nas primeiras partes dos encontros e que mantenha a alta bitola que tem vindo a demonstrar nas segundas.

Segue-se visita à Pedreira para defrontar o Sporting de Braga, naquele que será um jogo que servirá de rampa de lançamento para o próximo título a conquistar: a Taça de Portugal frente ao rival SL Benf**a.

06/07/2020

Vitória de mão cheia em direção ao título, cada vez mais perto para o FC Porto. Assistiu-se ontem, no estádio do Dragão, a duas partes bem distintas, sendo que este resultado dilatado construiu-se sobretudo na segunda parte do encontro.

Na primeira, valeu o que tem valido nos últimos jogos: eficácia, que aparece cada vez mais em detrimento da criatividade e da capacidade de criar jogadas ligadas pelo corredor central. Nos primeiros 45 minutos, o golo surge (mais uma vez) do jogo exterior (envolvendo os dois laterais bem subidos e projetados e a potência e explosão de Soares e Marega como já é apanágio portista) numa bola que sobra para Otávio e este com um cruzamento com conta, peso e medida fez com que Soares só tivesse que encostar, num raro momento de desorganização defensiva do Belenenses SAD, equipa que até estava a conseguir equilibrar o jogo, não arriscando muito na construção, procurando quase sempre uma solução direta para o seu avançado (Keita, que na minha opinião, é bastante mais limitado que Cassierra). Na única que vez que o FC Porto conseguiu construir por dentro no primeiro tempo, criou um lance que deu golo (grande passe a rasgar de Mbemba para Uribe entrelinhas) que acabou por ser anulado por eventual mão do colombiano. A equipa da casa foi para o intervalo, valendo-se dos seus altos índices de aproveitamento de oportunidades (somente dois remates à baliza, um deu golo), numa exibição bastante cinzenta.

A segunda parte foi substancialmente melhor para os portistas, em todos os aspetos do jogo. Não sofreu defensivamente (à exceção da bola ao poste quando o resultado já estava em 3-0) e ofensivamente foi capaz de criar mais oportunidades, marcando inclusive quatro golos. O segundo surgiu da visão de jogo de Sérgio Oliveira que joga sempre de cabeça levantada à procura de soluções (não obstante de raramente encontrar alternativas de passe plausíveis) e essa solução apareceu nos pés de Corona, que entrelinhas (o mexicano deve sempre jogar em zonas mais próximas do último terço porque é lá que faz a diferença, apesar do jogo mais apagado que estava a ter) lançou Marega que atirou a contar. A partir do 2-0, o momento da noite: parceria Diaz-Fábio Vieira, que deram um tom mais colorido à exibição caseira dos dragões, fazendo estragos no terceiro golo (passe de Fábio a isolar Diaz, que conquista o penalty), no quarto (livre exímio de Fábio Vieira, primeiro jogo a marcar para o menino canhoto do Dragão) e lei da bomba de Luis Diaz (no quinto e último da noite). Destaque para o colombiano, letal quando tem espaço e para o português que vai-se revelando cada vez mais presente do que futuro, com grande capacidade para marcar e assistir (em 59 minutos de utilização, já leva um golo e uma assistência), com um pé esquerdo que não engana e que reclama mais oportunidades, tendo tudo para se afirmar na próxima época e, a par de Vitinha e Tomás Esteves (não esquecendo Diogo Queirós, Diogo Leite e Baró), tornarem-se as revelações da época 2020/2021 que se avizinha.

Vitória gorda, justa e com nota de encomenda de faixas de campeão para a equipa de Sérgio Conceição.

01/06/2020

A aposta na formação é um tema sensível e, por isso mesmo, nos meios de comunicação social, acaba sempre por gerar intermináveis discussões sobre se um jovem está ou não preparado para jogar ao mais alto nível, sobre se esse apresentaria um maior rendimento (se jogasse) do que o colega que lhe tira o lugar etc.
Pegando um pouco nas palavras de Fernando Gomes e aproveitando o destaque desta capa do jornal O Jogo (que data de ontem), torna-se imperativo que o FC Porto "consiga manter o talento". E a justif**ação pode ser dada, considerando diversos prismas analíticos:
1) A atual situação de pandemia que vivemos, que aumentará ainda mais a volatilidade do mercado;
2) A escassez de fundos destinados ao investimento em jogadores;
3) A qualidade dos próprios jogadores do Olival, campeões sub-19 e campeões europeus no seu escalão. Uma verdadeira "geração de ouro".
De momento, encontram-se a treinar com a equipa principal e desde que retomaram a "normalidade", Francisco Meixedo, Diogo Costa, Tomás Esteves, Diogo Leite, Vítor Ferreira, Fábio Vieira, Romário Baró, João Mário, Fábio Silva (e ainda falta Diogo Queirós, que está emprestado).
Dos atletas supra-mencionados e a meu ver, todos eles (à exceção de Meixedo e João Mário) têm condições para ser aposta no que falta da época e começar 2020/2021 a jogar com maior regularidade.
É verdade que a sua integração deve ser cuidadosa, para evitar a estagnação da sua evolução dada a sua tenra idade mas a questão para mim é mais simples que isso: quem tem talento deve sempre jogar (em boas condições físicas bem entendido), independentemente da idade. O cartão de cidadão está na carteira e não no campo de futebol.
Claro que as saídas no mercado de verão (falarei sobre isso noutro post) também vão definir o futuro a curto-prazo dos meninos do Olival, mas esperemos que Sérgio (se continuar no comando técnico) ou outro treinador que vier se mostre disposto a ajudar, integrando-os não só nos treinos como nos jogos. E já que estamos a falar de manter talento: a renovação de Tomás Esteves é para ontem. Deixar sair a custo zero, um jogador com qualidades extraordinárias e que, na minha opinião, era titular de caras deste FC Porto, seria (mais) um erro de principiante. Quanto a Vítor Ferreira, Baró, Fábio Vieira, Diogo Leite, Diogo Queirós e Fábio Silva é dar-lhes minutos porque os jogadores só evoluem em contexto competitivo. Qualidade todos eles têm, é preciso injetar-lhes mentalidade competitiva, ADN portista e condições suficientes para que pratiquem o futebol que tanto gostam... E que nós também gostamos!

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