Matriz Portuguesa
Sociedades Sem Fins Lucrativos nas proximidades
Rua Arnaldo Assis Pacheco, Lote 2, Loja A
10/07/2026
A pedido do Professor Doutor José Carlos Seabra Pereira, ilustre Camonista, a Matriz Portuguesa regozija-se em divulgar a apresentação do seu livro “Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, Edição crítica”, no dia 17 de Julho, pelas 18h30, na Biblioteca da Imprensa Nacional, na Rua da Escola Politécnica, n.º 135, em Lisboa.
04/07/2026
A TOLERÂNCIA TEM DE SER RECÍPROCA
Carlos III entrou num templo Sikh como qualquer pessoa bem-educada entraria num espaço sagrado que não é o seu: respeitou as regras do lugar. Descalçou-se, cobriu a cabeça, sentou-se no chão e adoptou os gestos adequados à cerimónia.
Fez bem.
Aliás, seria estranho esperar outra coisa. A educação começa precisamente onde termina a nossa própria conveniência. Quem visita a casa dos outros não começa por explicar ao anfitrião como deve organizar a casa; procura compreender as suas regras e demonstra consideração por elas.
O gesto do Rei é, por isso, perfeitamente natural.
O que já não é tão natural é a pergunta que quase nunca surge depois dele.
Onde está a reciprocidade?
Vivemos num tempo em que o respeito pelos costumes alheios se tornou uma espécie de obrigação moral permanente. E isso é, em si mesmo, uma conquista civilizacional. Uma sociedade segura de si não teme a diferença; observa-a, compreende-a e convive com ela.
O problema começa quando essa virtude passa a funcionar apenas numa direcção.
Ao Ocidente pede-se que conheça todas as sensibilidades, respeite todos os símbolos, adapte todos os comportamentos e reveja constantemente a forma como apresenta a sua própria história. Fazemo-lo com frequência e, muitas vezes, com orgulho.
Mas quando se coloca a questão inversa — quando se pergunta se esse mesmo cuidado deve existir em relação aos símbolos e tradições da sociedade que acolhe — instala-se uma prudência curiosa.
A palavra que desaparece é sempre a mesma: reciprocidade.
É estranho, porque poucas ideias são tão básicas na vida humana. Uma amizade exige correspondência. Um acordo exige compromisso de ambas as partes. A convivência entre vizinhos exige consideração mútua. Até a mais simples regra de cortesia assenta na expectativa de que o respeito oferecido não será tratado como uma obrigação unilateral.
Porque haveria o diálogo entre culturas de escapar a essa regra?
Parece que criámos uma versão peculiar de convivência: uma em que uns têm o dever permanente de compreender, enquanto outros têm apenas o direito permanente de serem compreendidos.
É uma construção curiosa.
Chamamos-lhe igualdade, embora a adaptação pareça ter sempre o mesmo sentido.
O Ocidente deve aprender sobre todas as culturas. Deve conhecer os seus costumes. Deve evitar causar desconforto. Deve demonstrar sensibilidade.
Tudo isso é razoável.
Mas uma sociedade aberta não pode ser uma sociedade que apenas aprende sobre os outros e nunca espera que os outros aprendam sobre ela.
A integração não consiste na substituição de uma identidade por outra. Consiste na capacidade de diferentes identidades coexistirem dentro de um quadro comum de respeito.
E esse quadro tem de funcionar para todos.
Se um visitante entra numa mesquita, num templo hindu ou num gurdwara, é natural que respeite as regras daquele espaço. Se entra numa igreja cristã, a lógica não desaparece subitamente. A história, os símbolos e a tradição daquele lugar continuam a merecer consideração.
Não se pede a ninguém que abandone a sua fé ou adopte crenças que não são as suas. Pede-se apenas aquilo que se considera justo quando somos nós a receber visitantes: reconhecimento, educação e respeito.
A dificuldade em admitir esta ideia revela algo interessante sobre o nosso tempo.
Aprendemos a defender com enorme convicção a importância das identidades culturais dos outros, mas hesitamos frequentemente em reconhecer a legitimidade da nossa própria identidade cultural. Protegemos patrimónios alheios com entusiasmo e tratamos o nosso como um assunto embaraçoso que deve ser cuidadosamente relativizado.
O resultado é uma situação paradoxal.
A sociedade que mais se esforça por demonstrar tolerância é, muitas vezes, a que mais duvida do direito de esperar tolerância em troca.
É como se a abertura ao mundo exigisse uma condição prévia: a redução da importância de quem abre a porta.
Mas uma casa não se torna mais acolhedora por deixar de ter paredes.
Uma cultura não se torna mais generosa por deixar de reconhecer as suas próprias raízes.
O Ocidente tem defeitos, como todas as civilizações. Tem páginas difíceis da sua História e erros que devem ser recordados. Uma sociedade madura não foge ao seu passado; analisa-o e aprende com ele.
Mas uma coisa é reconhecer os erros de uma civilização. Outra, bem diferente, é transformar a sua existência num motivo permanente de desculpa.
A liberdade religiosa, a liberdade de consciência, a igualdade perante a lei e a possibilidade de diferentes comunidades viverem juntas não surgiram por acaso. São conquistas históricas que merecem ser preservadas, não relativizadas.
Por isso, defender a reciprocidade não significa fechar portas.
Significa apenas lembrar que uma porta aberta deve permitir entrada e saída.
As pontes entre culturas continuam a ser necessárias. Mas uma ponte só cumpre a sua função porque liga duas margens. Não existe porque uma delas avança indefinidamente enquanto a outra permanece parada.
O respeito pelos outros é uma das maiores virtudes de uma sociedade civilizada. Mas essa virtude perde o seu significado quando apenas uma parte se sente obrigada a praticá-la.
Carlos III respeitou um templo que não era o seu.
Fez exactamente aquilo que se espera de uma pessoa educada.
A pergunta que permanece é muito simples: quando falamos de respeito entre culturas, estamos preparados para aplicar a mesma regra a todos?
Porque a tolerância só é verdadeiramente uma virtude quando deixa de ser uma obrigação de uns e passa a ser um compromisso de todos.
João Micael
Presidente da Matriz Portuguesa – Associação para o Desenvolvimento da Cultura e do Conhecimento
Director da Academia de Protocolo
01/07/2026
EXPOSIÇÃO UNIVERSAL DA MATRIZ PORTUGUESA – LÍNGUA PORTUGUESA 730 ANOS
CALENDÁRIO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL | JULHO
DESTAQUE | 4 de Julho de 1336. A Rainha Isabel de Aragão, Rainha Santa, morre em Estremoz. | 8 de Julho de 1497. A frota de Vasco da Gama parte em direcção à Índia. | 25 de Julho de 1139. Batalha de Ourique.
1 de Julho
1867. A pena de morte para crimes civis é abolida em Portugal.
2 de Julho
1823. As Cortes Legislativas suspendem os seus trabalhos, no seguimento do golpe militar dirigido pelo infante D. Miguel, conhecido por «Vila Francada».
3 de Julho
1827. D. Pedro nomeia D. Miguel seu lugar-tenente em Portugal, desde que este case com a filha do primeiro, a rainha D. Maria da Glória.
1939. Nascimento de Helena Vaz da Silva (1939-2002). Jornalista, directora da revista «O Tempo e o Modo», presidente do Centro Nacional de Cultura desde 1979, foi presidente da comissão nacional da UNESCO, de 1989 a 1995 e deputada ao Parlamento Europeu, nas listas do PSD, de 1994 a 1999.
4 de Julho
1336. A Rainha Isabel de Aragão, Rainha Santa, viúva de D. Dinis, morre em Estremoz, sendo o seu corpo transladado para o Convento de Santa Clara de Coimbra. Será canonizada em 25 de Maio de 1625 no pontificado de Urbano VIII
1821. D. João VI regressa a Portugal, chamado pelas Cortes Constituintes, reunidas em virtude da revolução de 1820.
5 de Julho
1852. A pena de morte para crimes políticos é abolida em Portugal.
7 de Julho
1809. O poeta Inglês Lord Byron chega a Lisboa.
1923. Morte do poeta Guerra Junqueiro.
8 de Julho
1497. A frota comandada por Vasco da Gama parte de Lisboa em direcção à Índia. A Marinha Portuguesa comemora o seu dia nesta data.
1832. O exército liberal sob o comando do regente D. Pedro, desembarca na praia de Arnosa do Pampelido, perto do Mindelo.
9 de Julho
1832. O exército liberal ocupa o Porto.
1870. A abolição da pena de morte é alargada às colónias Portuguesas.
10 de Julho
1372. Assinatura do Tratado de Tagilde entre o rei D. Fernando de Portugal e John Gaunt, duque de Lencastre, filho do rei Eduardo III.
1654. Assinatura do tratado de Westminster de paz e aliança entre Portugal e a República Inglesa dirigida por Cromwell.
1902. O elevador de Santa Justa, conhecido na época como Ascensor Santa Justa-Carmo, é inaugurado.
11 de Julho
1822. As Cortes Constituintes votam a Constituição. Foi a primeira Constituição Portuguesa.
12 de Julho
1838. Revolta dos Marechais. Os marechais duques de Saldanha e da Terceira revoltam-se, tentando restabelecer a Carta Constitucional, outorgada por D. Pedro IV. Os generais marquês de Sá da Bandeira e conde do Bonfim opõem-se com as forças sob o seu comando, defendendo o regime Setembrista.
13 de Julho
1647. Criação da Aula de Fortificação e Arquitectura Militar, na Ribeira das Naus.
14 de Julho
1923. Nascimento de António Quadros (1923-1994). Membro da geração da revista «57», criada em torno Álvaro Ribeiro. Influenciado pelo existencialismo, que o fez publicar, em 1954, Introdução a uma estética existencial, a sua obra mais conhecida é Portugal Razão e Mistério, saído em 1986.
15 de Julho
1837. Nacimento de Estefânia de Hohenzollern (1837-1859), rainha de Portugal pelo seu casamento, em 1858, com D. Pedro V.
18 de Julho
1697. Morte do Padre António Vieira, missionário jesuíta e diplomata, em São Salvador da Baía.
19 de Julho
1976. A Assembleia Regional da Madeira inicia as suas actividades.
23 de Julho
1944. Nascimento da pianista Maria João Pires.
24 de Julho
1245. O Papa Inocêncio IV retira a D. Sancho II a autoridade real.
1810. Começo da terceira Invasão francesa, sob o comando do marechal Massena. Dá-se o combate do Côa entre a Divisão Loison Francesa e a Divisão Ligeira do Exército Britânico.
1827. Até 28 de Julho. Saldanha, ministro da guerra, demite-se provocando uma manifestação nocturna, à luz de archotes, de carácter republicano. O caso é conhecido pelo nome de «Archotadas».
1885. Entrada em vigor do 2.º Acto Adicional à Carta Constitucional, que tentava dar um carácter mais democrático à vida política Portuguesa.
25 de Julho
1139. Batalha de Ourique. D. Afonso Henriques combate uma coligação de reis Mouros e vence-os. O Exército Português comemora o seu dia nesta data.
1415. A armada destinada à conquista de Ceuta sai de Lisboa.
1582. Batalha naval em frente de Vila Franca do Campo, em S. Miguel, nos Açores, entre as forças navais castelhanas de D. Álvaro Bazán, marquês de Santa Cruz, e as francesas comandadas por Filipe Strozzi. Os castelhanos vencem obrigando D. António a refugiar-se na Terceira.
27 de Julho
1970. António de Oliveira Salazar, morre em Lisboa, com 81 anos de idade.
28 de Julho
1748. A Igreja dos Clérigos, no Porto, é aberta ao culto.
30 de Julho
1848. A iluminação a gás é inaugurada em Lisboa.
Imagens: Santa Isabel Rainha de Portugal, José Gil de Castro, 1820. Museu Colonial, Chile. | A Partida de Vasco da Gama para a Índia em 1497, Alfredo Roque Gameiro, 1864-1935. Biblioteca Nacional de Portugal. | O Milagre de Ourique, Domingos Sequeira, 1793. Museu Louis-Philippe do Castelo de Eu, França.
24/06/2026
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