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28/05/2021

Puerpério, uma fase da vida da mulher muito pouco falada e entendida.

Não nos tirem o puerpério.
É nosso.
Tal como a gravidez, o parto e o aleitamento materno.
É o corpo da mulher que se modifica hormonalmente e fisicamente durante nove meses.
São os seus seios que constantemente produzem alimento.
É o seu útero que se multiplicou em tamanho e agora tem de se tornar tão pequeno como uma pêra novamente.
É a sua pele que transporta a cicatriz da cesariana, a laceração ou a episiotomia.
São as suas mãos e braços que seguram o bebé para o fazer sentir-se seguro.
É a sua mente que tem de se adaptar num instante a ser solicitada e convocada vinte e quatro horas por dia.
É ela na sua solidão que passa as horas no seu pijama à espera do momento em que @ companheir@ regressa para poder ir à casa de banho.
É ela que não pode estar longe do seu recém-nascido por mais do que alguns minutos.
Foi a sua vida que mudou tanto que ela repensou o seu trabalho, os seus estudos e os seus projectos futuros.
É a sua psique que está dividida entre cuidar do seu bebé e reencontrar esta nova mulher que não reconhece em frente ao espelho.
É ela que irá ostentar para sempre as marcas de ter gestado uma vida.
São as suas células que permanecerão presentes no corpo do seu filho, durante anos.
É ela que carrega com os olhares das pessoas:
Se ela amamenta ou não amamenta, se o seu bebé está quente ou sem meias, se chora muito ou "é uma santa", se usa fraldas descartáveis ou de pano, se quer sair sozinha de imediato ou os meses passam e não se pode separar, se quer visitas ou prefere ficar sozinha, se o seu bebé adoece, se não dorme à noite, se tem rotinas ou não, se dá banho ao seu bebé todos os dias ou de dois em dois dias... e muito mais.
A lista é interminável.
Porque ao pai dá-se os parabéns, palmadinhas nas costas por ter conseguido uma das mais célebres realizações sociais.
A mãe é julgada, interpretada, interrogada, acusada, vigiada a toda a hora.
E se algo correr mal, a mãe vai sentir que falhou.
Porque se supõe que ela deveria saber como ser mãe desde o primeiro dia.
É um fardo pesado.
E é mais pesado porque é um fardo invisível para todos os outros.
Não nos tirem o puerpério.
Precisamos dele para nos reencontrarmos a nós mesmas.
E desde aí podermos maternar.

trad. livre de texto de Texto: Lazo Natal
📸 vía Pinterest em .Fanny.Fitz

❤️
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