CroJud
QUE VENHA O PROCESSO*
Por Armando Nenane**
Fui reunido no ultimo domingo por dois ilustres juristas que se dizem ser comissários diplomaticos do ex-ministro da defesa nacional Atanasio Salvador Mtumuke com intuito de me informarem que nos proximos dias poderei ser constituido como arguido de um processo judicial que esta a ser supostamente movido contra mim pelo antigo governante alegadamente por causa de haver depositado 50 meticais na conta bancaria do famoso segredo de Estado e no meu talao de deposito haver aparecido o nome do General na Reserva.
Foi num almoço algures na avenida Julius Nyerere, onde tive o privilegio de ser servido picanha com batata frita e arroz e uns bons copos de cerveja, uma mistura deslumbrante.
Nao eh a primeira vez que me mostram o fantasma de um processo judicial por causa do famoso talao de deposito, ate porque na altura em que o mesmo foi tornado publico o ilustre advogado fora-da-lei Elisio de Sousa apresentou uma denuncia espalhafatosa contra mim na procuradoria e onde me acusava de quais crimes de simulacao e injuria contra autoridade publica, nao se sabendo a quantas anda a referida denuncia, mas tudo indica que a procuradoria terá mandado aquilo para a lata de lixo.
Alias, um pouco antes, o historiador e propagandista Egidio Vaz teria se reunido com Mtumuke, tendo posteriomente ameacado processar os jornalistas do MOZ24H, nomeadamente Luis Nhachote e Estacio Valoi pela publicação em primeira mao do famoso talao de deposito.
De qualquer forma, o meu talao de deposito que ostenta o nome do General na Reserva serviu para o arquivamento do processo que vinha sendo movido contra os jornalistas Fernando Veloso e Matias Guente por crimes de violação de segredo de Estado.
Reservo-me ao direito de nao mencionar os nomes dos juristas comissarios diplomaticos que se reuniram comigo para me avisar do eminente processo judicial contra mim, ate porque os mesmos pediram-me que o encontro fosse confidencial, ao que lhes respondi que nao poderia garantir que o fosse dada a natureza da matéria abordada.
Espero que ao ser movido um processo contra mim por difamacao, tambem aproveitem para esclarecer em sede do tribunal sobre o destino dado aos oito milhoes de meticais da famosa conta do segredo de Estado, que deviam ter sido destinados ao militares e policias da Forca Tarefa Conjunta que protege as multinacionais em Cabo Delgado, dado que o mesmo nunca foi pago a eles e tambem nao consta que tenha sido devolvido a Anadarko no ambito do contrato de fornecimento de serviços de segurança assinado pelos ministros do Interior e da Defesa e a Anadarko e Eni.
Obrigado pela picanha. E pela cerveja também.
Que venha o processo!
*Cronica publicada nesta rede social no dia 14 de Abril de 2021
**Cronista/CroJud/ImprensaParalegal
O GRANDE EQUÍVOCO DE JAIME NETO:
É MINISTRO MAS NÃO É MINISTRO*
Por Armando Nenane**
No âmbito do crime de violação de segredo de Estado de que são acusados os jornalistas Fernando Veloso e Matias Guente descobrimos um facto: Jaime Neto é ministro, mas não é ministro.
Talvez o próprio Jaime Neto não sabia disso, nem nunca sequer imaginou. É que o tal segredo de Estado está guardado numa conta assinada pelo antigo ministro da defesa nacional Atanásio Salvador Mtumuke.
Ainda ninguém veio a público esclarecer formalmente por que razão apareceu o nome do antigo governante no meu talão de depósito de 50 meticais naquela conta. Tudo indica que Jaime Neto, actual ministro da defesa nacional, também não sabe o que está a acontecer. Se soubesse, já teria vindo a público esclarecer o que toda a gente gostaria de saber.
É esse o grande equívoco de Jaime Neto. Se calhar ministro nem é ele. É que alguém pode te entregar o ministério todo, mas ir embora com as contas todas. É o que estará a acontecer com Jaime Neto. Mtumuke lhe entregou o ministério, mas foi-se embora com o dinheiro dos militares e polícias que prestam serviços de segurança para as companhias multinacionais Total (antiga Anadarko) e Mozambican Rovuma Venture (antiga ENI) em Cabo Delgado em troca de compensações.
Tudo quanto se sabe é que um ministro não assina contas bancárias muito menos cheques. Esta é uma situação extraordinária onde até um antigo ministro tem seu nome numa conta pertencente a uma suposta direcção nacional da logística e finanças do Ministério da Defesa Nacional.
Na verdade, nem é conta do ministério da defesa nada. É uma conta empresa. Essa é a dura verdade que se pretende esconder com o carimbo do segredo de Estado. Não se tratando de segredo de Estado nenhum, mas sim de segredo de pessoas que estão a comer dinheiro que devia ser dado aos militares e polícias que protegem multinacionais em Cabo Delgado.
No dia em que a classe castrense irá começar a perceber, não será contra o antigo ministro Atanásio Mtumuke e seus amigos que controlam o dinheiro que irá se revoltar, será contra o actual ministro Jaime Neto, um pobre homem que nem sequer sabe de nada. No meu talão de depósito na famosa conta do segredo de Estado aparece o nome de Mtumuke. Para mim, o ministro da defesa é Mtumuke, não é Jaime Neto. Pobre Jaime Neto!
*Cronica publicada nesta pagina no dia 17 de Julho de 2020
**Cronista/CroJud/ImprensaParalegal
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