Xisto Fernando
27/12/2025
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Estamos a realizar uma pesquisa nacional de audiência para saber qual é o canal de televisão mais assistido em Moçambique 🇲🇿📺
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Canal de Televisão Mais Assistido em Moçambique Esta pesquisa é anónima e tem como objectivo identificar o canal de televisão mais assistido em Moçambique. As suas respostas serão usadas apenas para fins académicos e estatísticos.
10/07/2025
Fechar as Portas do Estado é Fechar as Portas ao Futuro
Por: Xisto Fernando
O recente anúncio do Governo moçambicano de limitar novas admissões na Função Pública até 2028 é mais do que uma medida de contenção — é um grito de desespero disfarçado de estratégia. Num país com pouco mais de 36 milhões de habitantes, onde o desemprego juvenil cresce de forma alarmante e as oportunidades profissionais são escassas, encerrar a principal via de acesso ao emprego formal revela uma desconexão gritante entre os gabinetes do poder e a realidade da rua.
Moçambique ainda não consolidou políticas públicas eficazes de empregabilidade. A maior parte dos jovens termina os seus estudos sem saber para onde ir. As promessas de industrialização, de diversificação da economia, de incentivos ao investimento produtivo, continuam engavetadas entre discursos vazios e planos nunca executados. Num cenário em que o próprio setor privado é frágil e limitado, o Estado deveria ser, por lógica, o maior empregador e dinamizador da economia — e não o primeiro a bater com a porta.
O argumento do Governo é cortar nas despesas. Mas pergunto: por que não cortar nos salários exorbitantes de ministros, directores nacionais, chefes de departamento e deputados que vivem acima das possibilidades do país? Por que não reduzir as frotas de viaturas de luxo, os subsídios injustificados, as missões externas rotineiras e as mordomias que só servem a elite do sistema?
Em vez de sufocar o acesso à Função Pública, o Estado devia investir na criação de fábricas, indústrias transformadoras, unidades agro-processadoras, cooperativas, e promover programas de empregabilidade com visão e sustentabilidade. Devia preparar a juventude para responder às exigências do mundo moderno — e não abandoná-la à sorte de um mercado informal saturado e instável.
Muito se tem dito que “os jovens precisam ser empreendedores”, como se fosse possível um país inteiro empreender sem consumidores com poder de compra, sem acesso a financiamento, sem redes de apoio, nem políticas públicas consistentes. A verdade é que nem todos têm vocação ou perfil para o empreendedorismo. E isso não é um problema — é a diversidade natural das sociedades. Muitos jovens moçambicanos precisam, sim, de empregos dignos — e são precisamente esses empregos que o Governo agora decide encerrar.
Este não é apenas um erro político. É um crime social silencioso contra uma geração inteira.
13/06/2025
Different Colours, One People: Uma crítica à canção de Lucky Dube à luz do racismo contemporâneo
Por: Xisto Fernando
Num tempo em que o mundo se proclama globalizado, tecnológico e progressista, o racismo persiste como um vírus antigo, mutante, que infecta consciências, estruturas e políticas. Entre manchetes que noticiam violência policial, discriminação sistémica e discursos de ódio, a canção “Different Colours / One People” do sul-africano Lucky Dube, lançada em 1993, continua a soar como um grito necessário — ou, talvez, como uma advertência ignorada.
Com um reggae envolvente e uma letra simples, mas profundamente simbólica, Dube denuncia a fragmentação racial promovida por interesses políticos, por narrativas históricas excludentes e por sistemas que mantêm a desigualdade sob véus institucionais. “Diferentes cores, um só povo” não é apenas o refrão; é uma filosofia de vida, uma proposta ética e um apelo à humanidade.
A canção, nascida em plena transição pós-apartheid, carrega o peso de um continente marcado por séculos de opressão racial e colonialismo. Mas o que impressiona — e entristece — é a actualidade desta mensagem, mais de trinta anos depois. Em pleno 2025, o racismo continua a matar, a silenciar, a excluir.
Nos Estados Unidos, o movimento Black Lives Matter ainda se ergue contra mortes evitáveis e injustiças estruturais. Na Europa, multiplicam-se os discursos anti-imigração que associam a cor da pele à criminalidade ou à “ameaça cultural”. Em África, paradoxalmente, ainda se observam tensões étnicas internas alimentadas por lógicas coloniais mal resolvidas. E em Moçambique, as desigualdades raciais e regionais continuam a ser camufladas sob o manto da “unidade nacional”.
A canção de Lucky Dube percorre o planeta, nomeando países e contextos, como quem aponta o dedo ao mundo todo: ninguém está isento da responsabilidade de mudar. Quando o artista canta que “Deus não criou Zulus nem Swazis — criou pessoas”, ele ataca directamente a raiz da tribalização e racialização das identidades humanas.
Mais do que uma composição musical, “Different Colours / One People” é uma aula de cidadania universal, uma crítica à política da exclusão e um espelho que reflecte a falência moral das sociedades que ainda julgam pela aparência. Lucky Dube não oferece respostas fáceis, mas exige reflexão.
Ouvir esta canção hoje é um acto político. É recordar que a cor da pele nunca deveria determinar o valor da vida. É confrontar-nos com o nosso silêncio perante injustiças. É, acima de tudo, reconhecer que a humanidade só será plena quando deixar de classificar-se em escalas de melanina.
Lucky Dube já partiu, mas a sua voz permanece. Talvez seja hora de deixarmos de a ouvir apenas com os ouvidos — e começarmos a escutá-la com consciência.
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