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30/03/2026
JOAQUIM CHISSANO PEDE INVESTIGAÇÕES EM CABO DELGADO
O antigo Presidente moçambicano, Joaquim Chissano, pediu investigações às reais causas do conflito armado na província de Delgado, norte de Moçambique, refutando alegações da sociedade que o associam à descoberta do gás e má governação naquela zona.
"Alguns podem pensar que [o conflito armado é] porque se descobriu muito gás [em Cabo Delgado], (...) mas porque é que há muito tempo não houve na Nigéria o terrorismo? Mesmo que se diga que há má governação, pode ser, nunca sabemos como as coisas vão", disse ontem Joaquim Chissano, durante uma conferência sobre paz e segurança em África, em Maputo.
O antigo chefe de Estado, que governou Moçambique de 1986 a 2005, apelou que haja e continue a haver investigação sobre o conflito naquela província do norte do país, rica em gás, e alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, evitando-se assim "corta-mato". (Lusa)
29/03/2026
PORTUGAL BLOQUEIA ESCALA E ADIA DEPORTAÇÃO DE MANUEL CHANG
A deportação do antigo ministro das Finanças moçambicano, Manuel Chang, para Moçambique está atrasada devido a entraves na escala prevista em Lisboa.
Apesar de já ter cumprido a pena nos Estados Unidos e de a sua saída estar programada para o dia 26 de março, Chang não conseguiu embarcar no voo que o traria de volta ao país porque as autoridades portuguesas não autorizaram a sua passagem pelo território durante a escala.
O antigo ministro chegou a ser transferido para o aeroporto de Boston após deixar a custódia do sistema prisional norte-americano, mas foi impedido de viajar devido à falta de validação do documento de viagem por parte de Portugal, país responsável pela escala. O trajecto previa uma ligação aérea entre Boston, Lisboa e Maputo, através da companhia TAP Air Portugal.
Com o impedimento, Chang permanece sob custódia do Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), numa unidade prisional no estado de Massachusetts, sem uma nova data definida para a sua deportação.
Face à situação, a defesa solicitou a intervenção do Tribunal do Distrito Leste de Nova Iorque, presidido pelo juiz Nicholas Garaufis, pedindo que seja ordenada a deportação imediata para Moçambique e que sejam esclarecidos eventuais requisitos adicionais para viabilizar a viagem.
O processo ocorre após Chang ter sido condenado nos Estados Unidos, no âmbito do caso das dívidas ocultas, tendo já beneficiado de redução de pena que permitiu a sua libertação nesta fase.
20/03/2026
Mozal encerra operações em Moçambique após 25 anos
Já estão oficialmente encerradas as instalações da Mozal em Moçambique, na sequência da incapacidade da empresa de ter energia suficiente e a preços competitivos. O futuro da infra-estrutura no país ainda é incerto.
Depois de ter prometido encerrar as suas instalações no fim do ano passado, a Mozal confirmou oficialmente nesta segunda-feira que deixa de operar no país e que seus activos ficam em estado de conservação e manutenção.
Sendo assim, a empresa dispensou os seus trabalhadores e fornecedores de bens e serviços por não ter conseguido um acordo para a redução do preço da energia eléctrica que permitisse a fundição manter-se competitiva a nível internacional.
“Encontrar uma solução foi ainda mais difícil devido às condições de seca que afectam a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), de onde a Mozal obtinha anteriormente a maior parte da sua electricidade”.
Em comunicado de imprensa emitido nesta segunda-feira, o vice-presidente de operações da Mozal Aluminium, Samuel Gudo, disse que este não é o resultado que era esperado pela empresa depois de operar cerca de 25 anos no país.
“Nos últimos seis anos, engajamo-nos amplamente com o Governo da República de Moçambique, a Eskon e outros intervenientes-chave para garantir um contrato de energia para a Mozal que lhe teria permitido continuar a operar e manter-se um negócio viável e competitivo a nível global”.
Na semana passada, o Governo prometeu procurar saber da empresa sobre o destino que pretende dar às suas instalações no país, sem descartar a possibilidade de entrada de novos operadores para a retoma das actividades.
18/03/2026
SENEGAL RECUSA ENTREGAR TROFÉU A MARROCOS E RECORRE AO TRIBUNAL ARBITRAL DO DESPORTO
O futebol africano mergulhou numa crise institucional profunda após o Conselho de Apelações da Confederação Africana de Futebol (CAF) ter retirado o título da Copa Africana de Nações ao Senegal, atribuindo a vitória ao Marrocos por via administrativa.
A decisão, baseada nos artigos 82 e 84 do regulamento, inverte o triunfo senegalês de 1 a 0 conquistado no relvado para uma vitória marroquina por 3 a 0, alegando que a equipa visitante abandonou o campo sem autorização do árbitro durante a final caótica em Rabat.
O secretário-geral da Federação Senegalesa de Futebol (FSF), Abdoulaye Seydou Sow, reagiu, garantindo categoricamente que o troféu não sairá do país, enquanto o zagueiro Moussa Niakhaté utilizou as redes sociais para provocar os marroquinos, instando-os a "vir buscar" a taça.
A FSF anunciou que recorrerá "o mais rápido possível" ao Tribunal Arbitral do Desporto (CAS), em Lausanne, na Suíça, argumentando que a decisão da CAF desacredita o futebol africano e ignora a realidade dos factos ocorridos no dia 18 de janeiro.
A final foi marcada pelo caos quando os jogadores do Senegal deixaram o relvado nos acréscimos, em protesto contra a anulação de um golo e a marcação de um penálti a favor de Marrocos. Após dez minutos de interrupção e confrontos entre jogadores e adeptos, a partida foi reatada.
O astro marroquino Brahim Díaz, do Real Madrid, acabou por falhar a grande penalidade com uma "cavadinha" defendida por Édouard Mendy, selando a vitória senegalesa na prorrogação. Contudo, a CAF entende agora que a interrupção deliberada configurou uma desistência formal.
Enquanto Marrocos aguarda a oficialização do troféu como país anfitrião e agora campeão na secretaria, o processo jurídico na Suíça poderá arrastar-se por cerca de um ano.
A Federação Senegalesa reafirmou o seu compromisso com a integridade desportiva e prometeu manter a luta jurídica até às últimas instância
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