Renascer - SV
28/07/2022
PADRE PAULO VAZ:
UM SER HUMANO ÍNTEGRO
Inequivocamente, dada à gigantesca dimensão humana da pessoa do Padre Paulo Borges Vaz, não constitui tarefa fácil para, em poucas palavras, conseguir esboçar com exatidão a sua caracterização como pastor, como cidadão, como professor, como escritor, como empreendedor, como obreiro na construção e transformação de um mundo melhor, como filho, como irmão, como protetor dos mais necessitados e oprimidos, como benemérito e como amigo. Certamente, quem algum dia pretender se aventurar a fazê-lo, terá de escrever uma pilha de livros!
Não obstante a referida limitação, seria injusto deixar de enaltecer aqui algumas das suas invulgares qualidades humanas bem pautadas por muita retidão, respeito, nobreza de espírito, transparência, sabedoria e determinação, certamente, reflexo de uma cuidada educação recebida no seu seio familiar, a avaliar pela forma polida e exemplar como se relaciona com todos, independentemente da sua classe social e nível de educação escolar. As suas visitas frequentes como Pastor aos seus paroquianos espelham inequivocamente a sua conduta humilde, fraterna e cordial para com todos, muito embora com maior enfoque nos mais carenciados, nos oprimidos e nos marginalizados. Daí a razão de ser para além de Pastor, um ser humano íntegro e cidadão muito atento, não se esquivando a apontar, sempre que necessário, situações de injustiça e de indiferença em relação aos que mais sofrem na nossa sociedade.
Quem teve o privilégio de apreciar o teor da relação filial que Padre Paulo, na condição de filho, mantinha com a sua extremosa e recém-falecida mãe, bem conhecida no nosso meio por “Iaiá”, aliado à invejável fineza no trato com os seus irmãos e demais familiares, facilmente atesta que, também, nos domínios do relacionamento familiar, estamos perante um ser humano completo, cujo exemplo de vida deverá servir de modelo para todos tanto no plano familiar como no plano humanitário, de um modo geral.
27/07/2022
PADRE PAULO VAZ:
PROMOTOR DAS VOCAÇÕES
No seu livro “Antropologia da Sexualidade”, o Pe Paulo Vaz escreve, logo nas primeiras páginas, na dedicatória: «Aos seminaristas da Diocese de Mindelo, pelo privilégio que tem sido para mim colaborar na sua formação pessoal, humana, religiosa, cristã e espiritual». Isto mostra, claramente, o amor do Pe Paulo Vaz às vocações e, mais do que isso, o seu empenho na promoção das vocações na Diocese.
Os Acampamentos Vocacionais, organizados pela Diocese de Mindelo, encontraram no Pe Paulo Vaz a sua origem. Com muito trabalho, sacrifício, entrega e desejo de ver crescer as vocações sacerdotais, começou a organizar Acampamentos Vocacionais nas diferentes paróquias e ilhas da Diocese de Mindelo. Muitos seminaristas que hoje tem a Diocese são frutos desses Acampamentos.
A paróquia de São Vicente, no pastoreio do Pe Paulo Vaz, conheceu tempos dinâmicos a nível vocacional. O que dizer do grupo paroquial de “discernimento vocacional” que se reunia todas as semanas com o pároco para estarem juntos, rezarem, partilharem reflexões sobre a vocação e fazerem as refeições juntos? O que dizer do grupo de oração pelas vocações que, com o estímulo do Pe Paulo Vaz, foi criado na paróquia de São Vicente? O que dizer também das conversas com os jovens com inquietações vocacionais?(…) Deus bem sabe da dedicação!
No entanto, o trabalho de promoção vocacional do Pe Paulo Vaz é mais visível na sua relação e no acompanhamento dos seminaristas. Ele tem procurado, sem medir esforços, estar presente em todos os momentos da vida dos seminaristas. Nutre de um grande amor por eles e sempre tenta ajudá-los naquilo que pode. Enquanto responsável de formação dos seminaristas, por exemplo, procurou visitar sempre os seminaristas maiores para se poder inteirar das suas vivências nos diferentes seminários e dos seus crescimentos em todos os níveis.
10/07/2022
PAPA FRANCISCO EXPRESSA TRISTEZA PELO ASSASSINATO DO EX-PRIMEIRO-MINISTRO JAPONÊS
O Papa Francisco expressou hoje tristeza pelo assassínio do ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe e disse esperar que “depois desse ato sem sentido, a sociedade japonesa se fortaleça no seu compromisso histórico com a paz e a não violência”.
Francisco enviou um telegrama através do secretário de Estado, Pietro Parolín, no qual afirmou que recebeu a notícia do assassinato de Abe com “profunda tristeza” e expressou as suas condolências à família, amigos e todo o povo do Japão.
“Após este ato sem sentido, por favor, ore para que a sociedade japonesa seja fortalecida em seu compromisso histórico com a paz e a não violência”, dizia o telegrama.
O ex-primeiro-ministro japonês de 67 anos morreu após ter sido baleado várias vezes enquanto discursava hoje em Nara, antes das eleições parlamentares que e realizam domingo no Japão.
Yamagami Tetsuya, desempregado de 41 anos e ex-membro das Autodefesas Marítimas (Exército Japonês), foi preso pelo ataque.
De acordo com fontes policiais estava “insatisfeito” com o ex-presidente pelo que decidiu matá-lo.
05/07/2022
JOÃO JOSÉ: «A INDEPENDÊNCIA DE CABO VERDE E O SURGIMENTO DE UMA “TERRA NOVA”»
O primeiro Boletim Oficial da República de Cabo Verde, datado do dia 05 de Julho de 1975, dizia que «após longos anos de uma luta heróica conduzida sob a bandeira gloriosa do Partido, o nosso povo de Cabo Verde vai tomar nas suas mãos o seu próprio destino» (1). A independência, de facto, vai permitir que Cabo Verde seja construído pelo próprio cabo-verdiano, com o seu pensar, o seu suor e o seu trabalho. O dia 05 de Julho de 1975 é, portanto, um dia histórico para Cabo Verde e todos os cabo-verdianos.
Depois da independência de Cabo Verde houve, a todos níveis, muitos desafios e problemas. Os primeiros passos da construção de Cabo Verde, enquanto país independente, soberano e reconhecido internamente e internacionalmente, vão ser muito difíceis. Contudo, sempre prevaleceu a força e a luta do cabo-verdiano, como afirmava Aristides Pereira no seu discurso no dia da independência nacional: «um novo capítulo vai começar, vamos recheá-lo de vitórias pelo nosso esforço e sacrifício, no combate aos flagelos que nos torturam durante séculos: a fome, a miséria, a ignorância...» (2).
A Igreja Católica assumiu um papel de grande importância no processo de independência de Cabo Verde e das outras Colónias portuguesas e foi, depois da independência de Cabo Verde, uma voz sempre profética. No dia 01 de Julho de 1970, o Papa Paulo VI recebe Agostinho Neto, Marcelino dos Santos e Amílcar Cabral numa audiência em Roma, o que gerou uma onda de contestação e um corte de relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé. Este acontecimento não passou despercebido aos olhos da imprensa, porque era a primeira vez que um Pontífice recebia personalidades de declarada ideologia comunista e que estavam à frente de movimentos armados em luta contra o imperialismo. Por isso, Paulo VI foi acusado de ter acolhido guerrilheiros considerados bárbaros e cruéis (3).
Dom Paulino Livramento Évora, o primeiro cabo-verdiano a ser ordenado bispo, entrou solenemente na sua Diocese poucos dias antes da independência de Cabo Verde. Sempre foi uma voz crítica e uma voz dos sem vozes. Assim, falando sobre a independência e a pós-independência, dizia ele que «embora não houvesse lutas com espingardas, o desenvolvimento que se propôs, para já, a questão do partido único o limitou. Isso limita o próprio desenvolvimento e dar às pessoas a liberdade. Ao cabo e ao resto não foi dada liberdade nenhuma às pessoas» (4).
O contributo da Igreja Católica para o jornalismo cabo-verdiano na pós- independência foi de uma grande importância. Destaca-se o jornal TERRA NOVA, propriedade dos Irmãos Capuchinhos de Cabo Verde, fundado em Abril de 1975, portanto, mais velho do que a independência de Cabo Verde, e que vai desempenhar um papel de oposição ao regime político de partido único, numa altura em que a actividade de imprensa era severamente controlada em Cabo Verde. Aliás, nesta fase da nossa história, encontramos poucos jornais em Cabo Verde. Para além do jornal Voz di Povu que era partidário do regime político, o Tribuna e o Terra Nova, não se encontram outros jornais em Cabo Verde nesta altura.
O percurso do jornal Terra Nova fez-se por meio de lutas e sofrimentos. Assim, o Frei António Fidalgo de Barros faz uma resenha história dos tempos difíceis que se viveram em Cabo Verde, no que tange à comunicação social, mais precisamente à imprensa e ao jornal Terra Nova. Diz ele que:
«a variedade de factos que marcaram a terceira fase da vida deste jornal foram grandes – refiro-me a tomadas de posições, pró e contra o jornal – medidas governamentais que levaram a Igreja Católica a levantar a sua voz, ameaças contra o jornal, acusações em tribunais, alguma cena de violência contra os colaboradores do jornal (houve pelo menos um), processos em tribunais contra o Director (quatro ao todo, dos quais um chegou a ser julgado), manifestações da sociedade civil e das comunidades cristãs, numa altura em que isso era proibido ou muito mal tolerado, espancamentos e intimidações – que tudo isso daria para um filme» (5).
O testemunho deste antigo director do jornal Terra Nova mostra-nos as diversas adversidades que o mensário de cariz cristão teve de enfrentar, durante o regime de partido único. Muito mais do que difundir informações, o Terra Nova foi um exemplo de luta contra o regime político e uma voz dos sem vozes, lutando pela liberdade e libertação do cabo-verdiano.
O actual presidente da república de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, num artigo de opinião, por ocasião do XL aniversário do jornal terra Nova, louva e iniciativa do referido jornal e considera que o panorama jornalístico em Cabo Verde nunca mais foi o mesmo desde a aparição do mensário Terra Nova: «o jornal Terra Nova não só quebrou o monopólio da informação escrita, como aceitou trazer para a reflexão dos cabo-verdianos questões novas, umas tabus e outras até proibidas. Inclusivamente, abrigou textos, nomeadamente artigos de opinião, severamente críticos do regime político que nos governou cerca de década e meia» (6).
Celebrar a independência de Cabo Verde é, por isso, celebrar a resiliência de um povo que nunca se deixou vergar perante os flagelos da vida. Que todos sejamos capazes de continuar o grande legado de Cabral que deu a sua vida em benefício da independência de muitos.
Viva a Independência de Cabo Verde!
Viva Cabo Verde – uma Terra Nova!
Viva Cabral!
MAIS DO QUE PUBLICAÇÃO DE UM LIVRO,
REALIZAÇÃO DE UM SONHO DE INFÂNCIA!
NOTAS:
(1) REPÚBLICA DE CABO VERDE, Boletim Oficial, n.º 1, 05 de Julho de 1975; disponível em http://www.parlamento.cv/grandesmomentos/wp-content/uploads/2015/11/BO-05-07-1975.pdf., consultado no dia 16 de Serembro de 2017, às 20h45;
(2) PEREIRA, A. Declaração de Independência, 05 de Julho de 1975. Esta citação pode ser consultada na Conferência «40 Anos da Independência de Cabo Verde - “O Olhar da Diáspora», organizada por “Falar África” no dia 20 de Junho de 2015. Disponível em file:///C:/Users/P.%20Paulo/Music/40-Anos-da- Independencia-de-Cabo-Verde.pdf;
(3) Cf. MILANI, A. – RUSSO, V., Paulo VI e os “rebeldes” das colónias portuguesas: a recepção da imprensa italiana; in Polifonia 19, n.º 26 (2012): pp. 218-234;
(4) ÉVORA, P., O desenvolvimento de Cabo Verde foi feito numa linha em que o homem não contou para nada, entrevista concedida ao jornal Terra Nova, Ano XLI, N.º 451, Junho de 2015, pp. 6-8;
(5) DE BARROS, A., O “jornalzinho” da oposição; in jornal Terra Nova, Ano XL, N.º 449, Abril de 2015, p. 2;
(6) FONSECA, J., Terra Nova: um arauto no novo tempo; in jornal Terra Nova, Ano XL, N.º 449, Abril de 2015, p. 3.
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