Psicóloga Adna Rabelo

Psicóloga Adna Rabelo

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14/05/2025

Foi uma das cenas que ficarão na minha cabeça por muitos anos. Ouvia do meu quarto a Helô construir brincadeiras com lobos maus e onças, utilizando várias pelúcias e objetos aleatórios que encontrou pela casa para montar seu cenário. Foi a primeira vez que a ouvi brincar com algo que não fosse princesas e gatinhos, então fiquei muito atenta. Sentei-me próximo para responder uns e-mails e continuei atenta. Logo depois, começou dizendo que precisava de uma pelúcia preta para 'derrotar' o lobo. Retruquei que ela poderia usar uma das suas gatinhas rosa, e ela foi categórica: só serve se for preta! E insisti: o rosa é muito poderoso também, sabia? Ela disse mais alto: não é! E eu insisti: é sim! E foi ficando levemente irritada, quando eu perguntei: tá bem, mas me explica o motivo de a cor preta ser mais forte? 'É que rosa é de menina, para derrotar o lobo precisa ser uma cor de menino', disse ela com um tom de voz mais baixo. Meu coração gelou. Eu suspeitava desde a primeira vez que fosse essa a razão, mas ainda tinha esperança de que estivesse enganada.

Parei imediatamente tudo o que estava fazendo e pedi para ela vir mais perto, e disse, olhando bem nos olhos dela: nós, meninas, somos muito fortes, sabia? A cor rosa é forte, você pode usá-la também quando quiser se sentir bem forte. Ela: 'Ah, mamãe, mas os meninos são mais fortes'. Pedi que ela sentasse no meu colo e fui firme: eu sei que muitos meninos têm mais força física que muitas meninas, mas preciso te contar um segredo – e fiz um tom de mistério. Ela ficou interessada e emendei dizendo que força não se resume a ter 'força física', que somos fortes quando sabemos o que nós sentimos e que a inteligência também é um tipo de força muito poderosa. Ela sorriu e saiu correndo para pegar sua gatinha rosa e continuar sua caçada junto ao lobo mau. Respirei e me peguei em uma avalanche de pensamentos, de trechos de livros e de textos que já li sobre a autoestima da menina e também em flashes da minha infância. Embora soubesse a grande responsabilidade na construção do senso positivo de si mesma dela, foi a primeira vez que senti isso tão concreto ali, bem diante dos meus olhos. (Segue na legenda)

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