Rio Ontem e Sempre
01/07/2026
✈✈✈ QUARTA AÉREA ✈✈✈
💎 𝐔𝐦𝐚 𝐋𝐚𝐫𝐚𝐧𝐣𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬 𝐦𝐚𝐫𝐚𝐯𝐢𝐥𝐡𝐨𝐬𝐚 𝐧𝐚 𝐝𝐞́𝐜𝐚𝐝𝐚 𝐝𝐞 𝟏𝟗𝟑𝟎💎
📸 1) E. A. Militar – 16/11/1934 – Museu Aeroespacial
📸 2) RO&S - Século XXI
Essa é uma das minhas “aéreas” prediletas da Escola de Aviação Militar, seja pela qualidade da foto, seja pela qualidade do ângulo, seja pela qualidade da região em si, com o seu relevo e suas construções historicamente relevantes, seja, ainda, pela qualidade do contraste que o sol está projetando, tanto no relevo quanto nas diversas edificações.
Impossível não falar do Palácio Guanabara, mas mais ainda não falar do Fluminense Football Club e seu estádio, dominando a região.
Impossível, também, embora não tenhamos aqui a mínima vontade de criar uma série com dependências entre uma postagem e outra, não citar a postagem anterior, que fala justamente da expansão da Rua Guanabara em 1914, dividindo os morros fisicamente entre Azul e Mundo Novo. Olha o resultado alí bem no limite esquerdo da foto!
Alguns ícones mostrados nesta postagem, como já pude inclusive questinonar um grupo de moradores da área, são cheios de história, mas raramente conhecidos, senão pela sua beleza arquitetônica. É o caso do Palacete da Ypiranga, onde está o ISAI (Instituto Sociedade Amante da Instrução), que criado em 1829 sediou-se lá em 1886, atualmente com o nome de Instituto João Alves Afonso.
Esta área é antiquíssima e cheia de história. A Rua Guanabara (Pinheiro Machado), por exemplo, tem citações documentadas desde o século XVIII, inclusive com outros nomes como Rua Isabel e Rua da Princesa, em homenagem à princesa residente no palácio. Passou a ser "Guanabara" por conta do expurgo dos símbolos monárquicos promovido com a Proclamação da República.
A região combina um relevo maravilhoso, com construções belíssimas e com ruas belíssimas, como a Paysandu, com suas palmeiras imperiais.
No cantinho direito, no limite da foto, na Rua das Laranjeiras, mesmo já canalizado e subterrâneo na década de 1930, está passando o Rio Carioca.
É muita coisa em cada cantinho, não dá pra descrever tudo. O que não descrevi, e até o que não sei, conto com a memória de cada um de vocês, que sempre têm nos ajudado a contar esta história.
(.rj)
27/06/2026
💎 𝐏𝐫𝐚𝐢𝐚 𝐝𝐨 𝐃𝐢𝐚𝐛𝐨 𝐞 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐚 𝐝𝐨 𝐀𝐫𝐩𝐨𝐚𝐝𝐨𝐫 💎
📸 1) Marc Ferrez (circa 1890) – Coleção Gilberto Ferrez / IMS
📸 2) Século XXI – RO&S
Não, a foto não está invertida! O ângulo do fotógrafo é que está te confundindo ... 😊
E é justíssimo que aconteça a confusão, pois ele (ângulo) é raríssimo!"
Observaram o herói na pedra olhando para o mar?
Ferrez fez o captou de um ponto que praticamente deixou de existir da forma como era. Estava na Ponta de Copacabana, já além da Igrejinha de Nossa Senhora de Copacabana, olhando em direção à Praia do Diabo e à Pedra do Arpoador.
Normalmente é o contrário, não é ...? Por isso pareceu invertida, pelo menos pra mim ...
E voltando à igreja, ela mudou o nome da região.
Até o século XVIII a região era conhecida como Sacopenapã, que em Tupi significa o barulho feito pelas aves socós na água ao bater suas asas (!!). A construção da pequena ermida dedicada à Nossa Senhora de Copacabana acabou tornando-se importante e Sacopenapã virou Copacabana.
Depois, outro acontecimento mudaria completamente essa paisagem.
O terreno da igreja foi vendido ao Exército Brasileiro para a construção de um forte destinado à segurança da costa durante a 1ª Guerra Mundial. Assim sendo, a antiga igrejinha foi demolida em 1918 e surgiu uma das mais importantes e modernas fortificações cariocas.
E muito por isso hoje, de fato, não existe mais este ponto que torne possível repetir esta fotografia. A atual foi feita já dentro da área do Forte, na Rua Garota de Ipanema, tentando reproduzir o enquadramento de Ferrez.
Agora que você já identificou a Praia do Diabo e a Pedra do Arpoador neste ângulo inusitado, vai enxergar a faixa de areia entre elas. Em marés mais altas ou durante ressacas, é muito provável que o mar alagasse este trecho, transformando a Pedra do Arpoador numa pequena ilha.
Uma única fotografia, que parecia invertida inicialmente, conseguiu lembrar três momentos diferentes da história do Rio: uma Sacopenapã virando Copacabana, a paisagem imediatamente anterior à construção do forte e um Arpoador que talvez, em dias de mar bravo, virasse um pequeno pontal, fosse por horas, fosse por alguns dias.
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25/06/2026
💎 𝐁𝐚𝐫 𝐝𝐨 𝐎𝐬𝐰𝐚𝐥𝐝𝐨 – A 𝐁𝐚𝐫𝐫𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐞ç𝐨𝐮 𝐚𝐥𝐢 💎
📸 1) Oswaldo em 13/09/1949 - instagram.com/bardooswaldo
📸 2 e 3) Arruamento da Barrinha – S.H. Holland - c. 1930
📸 4, 5 e 6) Século XXI – RO&S
Em complemento à "Quarta Aérea" de ontem, acabamos por ter hoje uma “Quinta também Aérea” ... 😊
Pois realmente há lugares que deixam de ser apenas um comércio local. Viram referência e assinatura de um bairro, cidade ou país.
Falar "vamos ao Oswaldo" já dizia tudo: tomar uma batida na Barra, de amendoim, no meu caso, em vez da exaltada de cõco, calibrando o início da noite, que poderia seguir direta alí ou não. Afinal, poderíamos levar umas garrafas feitas na hora e seguir com o “Oswaldo” para qualquer outro lugar que se fizesse mais interessante.
E em um destes momentos de contemplação pensarmos incrédulos que o Oswaldo abriu seu bar em 1946, quando praticamente não havia Barra da Tijuca.
Na foto de Holland vemos que a região não foi sendo simplesmente ocupada aos poucos. As ruas não apareceram naturalmente. Na década de 1930, sem ninguém ainda na Barrinha, nenhuma residência ou negócio, pelo menos 10 anos antes da abertura do bar, já havia o arruamento planejado: ruas, avenidas e praça criando um bairro na conexão entre a Estrada do Joá e a Estrada da Barra da Tijuca em direção à Jacarepaguá, na beira da Lagoa da Tijuca.
É isso: a Barra nasceu primeiro no papel. As casas vieram depois.
E foi nesse primeiro núcleo urbano, ainda pequeno, que Oswaldo resolveu apostar, provavelmente morando alí naquele espaço. Não consegui descobrir ao certo, mas é o que normalmente acontece.
A fotografia de 1949 mostra o próprio Oswaldo atrás do balcão, quando o bar ainda estava iniciando como um comércio local.
Será que ele imaginava alí o que viria a acontecer no futuro, no ícone em que ele com seu bar se transformaria e que aquela pracinha central da Barrinha ia se expandir do jeito que se expandiu? Duvido muito.
Mas enquanto quase toda a Barra da Tijuca foi sendo redesenhada, num plano de Lúcio Costa, a Barrinha ainda mantém um pouco da Barra original.
O Bar do Oswaldo faz parte dessa história desde quase o começo. E resistiu a incêndio, a pandemia e infelizmente até mesmo à falta do Oswaldo.
Quem conheceu o Oswaldo provavelmente vai lembrar da batida preferida. E, seja do que for, ela tem o sabor da Barra da Tijuca que começou bem ali.
(@𝘢𝘯𝘵𝘰𝘳𝘢𝘮𝘰𝘴.𝘳𝘫)
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Rio De Janeiro, RJ