Ed Sousa
24/08/2025
A FILOSOFIA DA ESPERA EM “ESPERANDO AVIÕES”
“Esperando Aviões”, de Vander Lee, é mais do que uma música sobre saudade. É uma meditação sobre como projetamos no outro aquilo que desejamos viver — e como sofremos quando essa presença não se cumpre.
Esperar alguém é suspender a própria vida. É ficar à beira da pista, observando o vazio, acreditando que em algum momento aquele avião vai pousar trazendo respostas, gestos ou presenças. Mas às vezes, o que esperamos não é a pessoa real, e sim a versão de alguém que idealizamos. E é aí que a ausência pesa: não apenas porque o outro não chega, mas porque projetamos nele a completude que não deveria estar fora de nós.
O paradoxo do amor é este: pode ser prisão e liberdade ao mesmo tempo. A ausência dói, mas também revela a intensidade do vínculo que acreditamos existir. Por isso aceitamos a sentença de esperar entre duas pessoas mediados pela doação recíproca do amor, mesmo sabendo que talvez nunca venha se concretizar.
As imagens poéticas da canção — o diário perdido, o lamento, o náufrago — revelam uma verdade filosófica: esperar é, ao mesmo tempo, sofrer e acreditar. Sofremos porque o vazio é real, mas acreditamos porque a esperança por alguém insiste em sobreviver, mesmo no silêncio.
No fundo, talvez o que buscamos não seja a chegada do outro, mas a confirmação de que não fomos ingênuos ao sentir. Esperamos, porque queremos crer que não idealizamos à toa.
E talvez esse seja o aprendizado maior: perceber que a ausência também fala. Às vezes, o silêncio do outro diz mais do que qualquer reencontro.
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