CardioEvidence

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Photos from CardioEvidence's post 03/07/2026

Uma das frases mais repetidas na prática clínica é: “se a matéria-prima é a mesma, o medicamento é igual.” A ciência mostra que a resposta é mais complexa.

O medicamento final é muito mais do que a molécula escrita na embalagem. Ele resulta de uma cadeia de qualidade que envolve matéria-prima, excipientes, processo de fabricação, controle de impurezas, estabilidade, embalagem e farmacovigilância.

O mesmo princípio ativo pode ser produzido por fornecedores diferentes, utilizando rotas sintéticas distintas. Isso pode gerar diferenças no tamanho das partículas, cristalização, teor de água, impurezas e estabilidade, fatores que podem influenciar a dissolução e o desempenho farmacêutico.

Os excipientes, muitas vezes considerados “inertes”, também importam. Eles podem modificar a desintegração do comprimido, a absorção e a estabilidade do medicamento, especialmente em formulações de liberação prolongada, medicamentos de baixa solubilidade e produtos de estreita margem terapêutica.

Outro conceito fundamental é a bioequivalência. Dois medicamentos bioequivalentes não são necessariamente idênticos em sua composição ou fabricação. O que os estudos demonstram é que a exposição ao fármaco – avaliada pela AUC e Cmax – é suficientemente semelhante para produzir o mesmo efeito clínico esperado.

Além disso, o processo de fabricação faz diferença. Granulação, compressão, revestimento, esterilização, armazenamento e embalagem podem influenciar a uniformidade, a estabilidade e até o risco de contaminação.

Os recentes episódios de contaminação por nitrosaminas lembraram ao mundo que a segurança de um medicamento depende de toda a cadeia produtiva e não apenas da molécula principal.

Isso não significa que genéricos ou similares aprovados por agências rigorosas sejam inferiores. Pelo contrário: FDA, EMA, OMS e ANVISA exigem critérios rigorosos de qualidade, equivalência farmacêutica e bioequivalência para garantir eficácia e segurança.

A mensagem prática é simples:

A molécula importa. Mas o medicamento é mais do que a molécula.

Referência nos comentários

Dr. Cesimar S. do Nascimento, Cardiologista, CREMERN 2050. RQE 629.

Photos from CardioEvidence's post 20/06/2026

O SEU TREINO NÃO ANULA O FATO DE VOCÊ PASSAR O DIA INTEIRO SENTADO!

Um estudo publicado no JACC: Advances transformou nossa visão sobre o sedentarismo. Ao longo de 8 anos, pesquisadores acompanharam 89.537 participantes do UK Biobank, utilizando acelerômetros de pulso com inteligência artificial para medir o movimento real com extrema precisão, eliminando as falhas dos velhos questionários. O comportamento sedentário crônico aumenta de forma direta o risco de 75 doenças diferentes (dentre mais de 700 avaliadas).

Os dados revelaram um ponto de alerta [6]. Passar mais de 10,6 horas diárias sentado dispara os riscos atrelados à Síndrome Cardiovascular-Renal-Metabólica (CKM). Em números exatos, cruzar esse limiar eleva o risco de desenvolver apneia do sono em 19%, diabetes em 18%, doença renal crônica em 14% e hipertensão em 13%. As condições da síndrome CKM corresponderam a quase metade das descobertas (36 associações de alto risco).

O achado mais crucial para a prática clínica: cumprir a diretriz de 150 minutos por semana de atividade física moderada a vigorosa NÃO neutraliza os danos de passar o dia inteiro na cadeira. Constatou-se que mesmo os indivíduos mais ativos que treinavam regularmente mantiveram altos riscos de adoecer se ultrapassassem as 10,6 horas sentados. Um treino rápido não “desfaz” o dano de trabalhar 12 horas no escritório.

A métrica de Fração Atribuível Populacional (PAF) demonstrou que o excesso de sedentarismo causa de forma direta e isolada 4,2% das apneias, 1,9% das doenças renais, 1,6% das hipertensões e 1,3% dos casos de diabetes, rivalizando ou superando o impacto em saúde pública de ter uma dieta muito ruim.

A velha regra de “mova-se mais” já não é o suficiente. É urgente que profissionais de saúde incorporem ativamente a meta rigorosa de “sente-se menos” como um alvo terapêutico prioritário e independente na prevenção de doenças. Interromper o tempo sentado ao longo do dia salva vidas!

https://doi.org/10.1016/j.jacadv.2026.102718

Dr. Cesimar S. do Nascimento, Cardiologista, CREMERN 2050, RQE 629

Photos from CardioEvidence's post 19/06/2026

O ensaio clínico CONFIDENCE, publicado no renomado New England Journal of Medicine (junho de 2025), focou no início simultâneo de finerenona e empagliflozina em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) e Diabetes Mellitus tipo 2. Esse desenho procurou preencher uma importante lacuna científica de evidências para este público.

Os pacientes detinham taxa de filtração glomerular estimada de 30 a 90 ml/min/1,73m² e relação albumina-creatinina urinária (RAC) de 100 a 5000, usando inibidor do sistema renina-angiotensina. A randomização em 1:1:1 estipulou três categorias com placebos pareados: finerenona exclusiva (10/20 mg/dia), empagliflozina exclusiva (10 mg/dia) ou a combinação de ambos. O desfecho primário avaliou a queda relativa da média log-transformada da RAC basal na marca de 180 dias de seguimento.

O perfil clínico basal se mostrou altamente homogêneo (com RAC mediana de 579). Aos 180 dias, computou-se dados de 265 participantes na combinação, 258 na finerenona e 261 na empagliflozina. Os achados ratificaram a eficácia do tratamento duplo: a mitigação da albuminúria na terapia combinada superou em 29% os efeitos da finerenona em monoterapia (Razão da média dos mínimos quadrados: 0,71; IC 95%, 0,61-0,82; P

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