WA AI DOJO

WA AI DOJO

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01/10/2020

Hoje o Shihan Keizen Ono, completa 95 anos de idade.⠀

A palavra "senpai", do idioma japones, pode ser traduzida como veterano. Tradicionalmente, é aquele que te recebe pela primeira vez no Dojo quando você começa a treinar, quem te serve de modelo - e guia seus primeiros passos no tatami. Para mim, embora Ono sensei já tivesse seu próprio Dojo e eu só o visse em poucas ocasiões, ele era o modelo a ser seguido, naquele longínquo 1975.⠀

Foi ele quem me disse como chegar ao Dojo de Kawai sensei, quem me ensinou como praticar o "kokyu ho" totalmente relaxado e sem força, quem me fez acreditar ser possível aguentar aquela disciplina terrível que o nosso sensei exigia de seus discípulos. ⠀
Eu realmente sou muito grato, porque não posso imaginar que, tão jovem e tão cru, eu pudesse encontrar um senpai melhor, mais paciente e atencioso, mais simples ou mais gentil.⠀
Quando nos encontramos no velório de nosso mestre ele me abraçou e disse: "Herbert san, que grande ensinamento, que grande ensinamento", referindo-se à herança dos nossos dias ao lado de Kawai sensei. ⠀
O que ele não sabe é que o meu aprendizado foi ainda mais rico, porque contou também com os ensinamentos dele, com seus exemplos de educação, respeito e modéstia.⠀

Obrigado meu "dai senpai", Ono Keizen sensei. Sou eternamente grato por me mostrar que o caminho do discípulo é o único que pode levar à mestria.⠀
Oxalá eu possa percorre-lo até o fim, como o senhor.⠀

Photos 18/05/2020

"Não são necessários edifícios, dinheiro, poder ou prestígio para praticar o Aikido. O céu está exatamente lá onde você se encontra e esse é o lugar para treinar" -Morihei Ueshiba

Photos 12/05/2020

Quem tem filhos sabe que nada supera a alegria de ve-los crescer independentes, fortes, maduros e capazes de decidir os rumos de sua própria vida. Para Kawai sensei, seus alunos eram os seus filhos do Aikido. Ele orientava e provia todo o necessário para ficarem prontos e seguir adiante. Não me lembro que jamais tenha imposto qualquer obrigação, após liberar alguém para iniciar seu Dojo. Pelo contrário, cada um seguiu seu caminho com diferentes formas de treino e de técnicas, visitando Dojos pelo mundo, participando de Seminários e treinando com outros mestres. Nunca interferiu no que cada Instrutor fazia, mesmo quando ministravam treinos com música, exercícios de yoga e ginásticas de fontes estranhas ao Aikido.
Dono de enorme dignidade e autoconfiança, também não passava a mão na cabeça de quem insistia no erro e fosse tão longe que não pudesse mais voltar. Sem nenhum apego sentimental ou material, nunca foi um "amigo", embora fosse o maior amigo de todos. Era simplesmente reto.
Somente, não excluía ninguém que não tivesse se autoexcluído antes.
"Aikidō coração grande precisa", ele dizia.
Um dia talvez eu conte como ele me mandou embora e eu nunca fui, só para contar como ele nunca me abandonou, também.
Seguimos juntos até o fim, como pai e filho, como mestre e discípulo.
Ele me ajudou a crescer e me deixou livre para seguir o meu caminho. E eu dedico a ele fidelidade e lealdade eternas, as quais ele conquistou com o exemplo de sua retidão e a grandeza de sua alma.
Ran Ichi

04/05/2020

O Aikido Une!

16/04/2020

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"A Árvore Alta Ė A Que O Vento Ataca" ( Parte 1)
Por ocasião da primeira vinda do Doshu Kishomaru Ueshiba ao Brasil, em 1978, Kawai Sensei perguntou somente: "Doshu sensei, o senhor acredita nessas acusações?"
"Kawai, takai kini wa kaze ga ataru", respondeu o nosso Doshu. A árvore alta é a que o vento ataca. Confiava inteiramente nele, não era necessário dizer mais nada. Ainda assim, eu continuava inconformado e perguntei por que ele não se defendera das acusações que havia sofrido. Kawai Sensei disse: "Heribiti, homem eu no boca defesa, muito feio. Outro pessoa defesa, bonito. Ocê defesa bonito. Eu ga trabalho só defesa". Ou seja: um homem defender a si mesmo, por suas próprias palavras, é muito feio. Se você quiser me defender, ok. Mas um homem só deverá ser defendido por outros, ou por seu trabalho.
Tempos depois, um triste professor, alguém muito infeliz mesmo, dedicou sua vida a caluniar a vida e a obra desse pai do Aikido brasileiro. Incapaz de alcançar aquela grandeza, cheio de inveja e ressentimento, passou a escrever livros, artigos de revistas e cartas aos alunos de Kawai sensei, sempre o caluniando, mentindo e ofendendo da forma mais vil, mais baixa e grosseira. Quantas vezes pedi para tomar satisfações pessoais e ele nunca permitiu, nem respondeu às agressões. Nunca se defendeu, nem resistiu aos ataques - orava por seu agressor e me pedia para orar também.
Aluno residente (uchideshi) mais antigo desse grande homem, foi a minha vez, anos depois, de ser atacado pelo mesmo professor, com calúnias publicadas no site de seu Instituto. Processei autor e Instituto e ambos foram condenados até a segunda instância, não cabendo mais recursos. Pagaram indenizações e publicaram desculpas negando o que haviam escrito. Um perfeito exemplo de todo o contrário ao Budo, indesculpável e vergonhoso motivo para "seppuku" (harakiri) no Japão antigo.
Homens de tempos e culturas diferentes têm respostas diferentes aos mesmos problemas e situações. Mas não dá para negar que Kawai sensei era uma árvore alta, muito alta. Ran Ichi (continua...)

07/04/2020

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REFLEXÃO PARA OS TEMPOS DE COVID-19...e do que virá depois...
Agosto de 1945, Japão derrotado na Segunda Guerra Mundial.
O Imperador Showa dirige-se ao povo japonês pedindo que saiba "suportar o insuportável e sofrer o impossível".
Joe O'Donnell, fotógrafo a serviço da Agência de Informação do Departamento de Guerra norteamericano chega ao Japão para fotografar os efeitos das bombas atômicas no país. Em Nagasaki testemunha a cremação dos mortos pelas bombas, quando um menino aparentando 10 anos de idade se aproxima, trazendo outra criança em suas costas, à maneira tradicional.
"Entregue sua carga". "Não é uma carga, é meu irmão", dizem que foi o diálogo. Seria ele o último de sua família - seus pais, e agora seu irmão - todos mortos, uma vida inteira pela frente, órfão e solitário?
O' Donnell descreveria depois: "Os homens com máscaras brancas se aproximaram dele e calmamente começaram a tirar a corda que segurava o bebê. Foi quando eu vi que o bebê já estava morto. Os homens o colocaram sobre o fogo e o menino permaneceu ali sem se mover em linha reta, observando as chamas. Ele estava mordendo o lábio inferior com tanta força que brilhou com sangue. A chama queimou baixo como o sol vai para baixo. O menino virou-se e caminhou em silêncio para longe”.
O espírito do Budo pode ser aprendido em qualquer idade: suportar o insuportável, sofrer o impossível, viver sem medo.
Ran Ichi

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