Fofoca do dia

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28/12/2021

Como surgiu a primeira vacina?

Em 14 de maio de 1796, o médico rural Edward Jenner realizou o experimento que introduziria o termo “vacina” ao dicionário da humanidade: o britânico inoculou em um garoto de 8 anos um líquido retirado da lesão de uma mulher que havia sido infectada pela “varíola bovina”. A empreitada, hoje considerada antiética, tinha justificativa. Jenner havia observado que as ordenhadoras não contraíam a varíola humana se antes já tivessem adquirido a versão que afeta o gado, que era mais branda e não causava bolhas de pus na pele. Estariam elas protegidas?

A resposta viria seis semanas depois, quando o médico inoculou varíola humana no outro braço de James Philipps, seu garoto-cobaia. Surpreendentemente, ele não adoeceu – resultado que se repetiu em outros te**es. Nascia ali, um século antes da descoberta dos vírus, a primeira vacina (do latim, “das vacas”).

E Jenner deu sorte! Isso porque a varíola bovina é causada por uma família viral diferente da doença que atinge humanos. É muito raro que um vírus distinto do causador da enfermidade consiga contê-la. Apesar de genial, na época, o feito não foi bem recebido de imediato.

Afinal, o imunizante soava repulsivo para muita gente. Numa época sem geladeiras para conservá-lo e higiene precária, ele tinha de ser levado de braço a braço ou de animal a animal. Ainda assim, seus benefícios foram reconhecidos pela Academia de Ciências do Reino Unido em 1798.

Com o tempo, a fabricação de vacinas foi aprimorada e adotada globalmente, de forma que, em 1980, a Organização Mundial da Saúde anunciou a erradicação da varíola. Assim, a iniciativa que começou no interior da Inglaterra abriu portas para a imunização, salvando milhões de vidas.

24/12/2021

Pouco mais de uma semana após cientistas em Botsuana e na África do Sul alertarem sobre nova variante do SARS-CoV-2 em circulação, ainda temos mais perguntas do que respostas sobre ela. No dia seguinte ao alerta, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a B.1.1.529 como uma variante de preocupação (VOC), que passou a ser denominada Ômicron.

Quais os sintomas? Como ela é diagnosticada? As vacinas atuais são eficazes contra ela? Pesquisadores do mundo todo estão correndo para detalhar as respostas sobre essas e tantas outras questões e, assim, esclarecer a real ameaça que a Ômicron representa.

Alguns esclarecimentos ainda levarão alguns dias ou semanas para virem à tona. Enquanto isso, o GLOBO reúne tudo o que a ciência já conseguiu esclarecer sobre a nova variante, que já soma seis casos confirmados no Brasil.

Onde foi detectada a variante Ômicron?
O primeiro país a notificar a Ômicron foi a África do Sul, que emitiu um alerta à Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 24 de novembro.

Segundo a OMS, as análises encontraram a variante pela primeira vez na amostra de um teste coletado em 9 de novembro. Com o anúncio da nova cepa, outros países passaram a sequenciar os genomas dos vírus encontrados em pessoas que testaram positivo para a Covid-19.

Na Holanda, por exemplo, um viajante testado em 19 de novembro já apresentava a Ômicron, o que mostra que a nova variante já estava circulando pela Europa antes de a África do Sul investigar o aumento de casos repentinos e descobrir a nova cepa.

Quais são os sintomas?
O primeiro sinal de que as novas infecções por Covid-19 estavam diferentes foi observado pela médica sul-africana Angelique Coetzee ao atender pacientes com sintomas diferentes dos apresentados por aqueles que eram acometidos pela Delta. Os novos pacientes queixavam-se de cansaço, dores musculares, coceira na garganta ou garganta arranhando. Em poucos casos, apresentavam também febre baixa e tosse seca.

Entre os sintomas mais comuns da Delta estão pulsação elevada, baixos níveis de oxigênio e perda de olfato e de paladar.

Os sintomas da Ômicron são mais parecidos com a da Beta, que também foi identificada pela primeira vez na África do Sul.

Como diagnosticar a nova variante?
A identificação da nova variante só foi possível graças ao sequenciamento genético do vírus, que apontou as mutações que a fizeram ser diferente das demais cepas do coronavírus. Portanto, esse seria o melhor método para diferenciar a Ômicron de outras variantes.

No entanto, a Ômicron é relativamente fácil de ser distinguida da Delta em te**es de PCR. Ao contrário da Delta, a Ômicron tem uma mutação que causa o que é chamado na genética de “drop-out do gene S”. Isso significa que uma das partes do vírus, que é identificada pelo teste PCR, não está presente nessa variante.

Dessa forma, te**es que vierem com um resultado onde apenas duas partes foram identificadas, em vez de três, indicariam a infecção pela nova variante. Portanto, os te**es podem ser usados como marcadores para esta variante, podendo ser confirmada posteriormente pelo sequenciamento do material genético do vírus.

A Ômicron é mais transmissível?
De acordo com a OMS, tudo indica que a Ômicron seja mais transmissível do que as outras variantes, incluindo a Delta, mas isso ainda não está definido.

A África do Sul relatou um aumento de te**es positivos para Covid-19 em áreas onde a variante está circulando. Estudos epidemiológicos estão em andamento para entender se o aumento de casos foi provocado pela nova cepa ou por outros fatores.

Evidências preliminares sugerem que pode haver um risco aumentado de reinfecção com a Ômicron (ou seja, pessoas que já tiveram Covid-19 podem ser reinfectadas mais facilmente com a nova cepa), em comparação com outras variantes preocupantes. Porém, por enquanto, as informações são limitadas. Mais dados sobre isso estarão disponíveis nos próximos dias e semanas, afirma a OMS.

Quais são os tratamentos?
De acordo com a OMS, corticosteroides (como a dexametasona) e medicamentos bloqueadores da interleucina-6 (como tocilizumabe e sarilumabe) ainda são indicados para o tratamento de Covid-19 grave causada por qualquer tipo de variante.

Outros tratamentos serão avaliados para ver se eles ainda são tão eficazes, dadas as alterações em partes do vírus na variante Ômicron.

A empresa Regeneron, que desenvolveu um coquetel de anticorpos monoclonais, disse que seu medicamento pode ser menos eficaz contra a variante Ômicron do coronavírus, uma indicação de que esse tipo de tratamento pode precisar ser atualizado no caso de a nova variante se espalhar agressivamente.

Mas já há um bom sinal. A farmacêutica britânica GSK disse que o coquetel de anticorpos sotrovimab, desenvolvido em parceria com a norte-americana Vir, é eficaz contra a Ômicron.

O dado é baseado em te**es laboratoriais e em um estudo com hamsters. Segundo as empresas, os te**es continuam para confirmar os resultados contra todas as mutações da Ômicron. Os resultados são esperados até o final do ano.

Os anticorpos monoclonais são indicados no início dos sintomas, para pacientes com alto risco de evoluir para casos graves. O medicamento é administrado por via intravenosa, em ambiente hospitalar. Produtos semelhantes são oferecidos ou estão sendo desenvolvidos pela Eli Lilly e a AstraZeneca.

As atuais vacinas funcionam?
A grande dúvida a ser respondida é exatamente essa. Ainda não se sabe se as vacinas são menos eficazes contra a Ômicron, mas existe esse risco devido às mutações encontradas na variante. A maioria delas, está na proteína spike, que é o principal alvo das vacinas disponíveis atualmente.

Além disso, a nova cepa possui a mutação E484K, também encontrada na Beta. Essa mutação comprovadamente escapa aos anticorpos monoclonais e tinha a capacidade de escapar das atuais vacinas.

As principais desenvolvedoras dos imunizantes disponíveis — Pfizer-BioNTech, Oxford-AstraZeneca, Moderna e Johnson & Johnson — já iniciaram te**es para avaliar a eficácia de seus imunizantes contra a variante. Resultados são esperados em cerca de duas semanas.

Elas também já se adiantaram e começaram a desenvolver novas versões, destinadas à nova cepa. A Pfizer disse que pode ter um novo imunizante pronto em cerca de 95 dias.

A Jonhson & Johnson afirmou que irá desenvolver uma vacina contra a variante se for necessário e a Moderna pode levar uma versão atualizada de seu imunizante aos te**es clínicos em humanos em até 90 dias.

Quantos casos há no Brasil?
Até o dia 04/12/2021, seis casos da nova variante haviam sido confirmados no Brasil. São três em São Paulo, dois no Distrito Federal e um no Rio Grande do Sul. Os infectados são pessoas que retornaram de viagens a países do continente africano.

Além do Brasil, a nova variante já foi identificada em 39 países. Destes, dez apresentam transmissão local da variante, incluindo África do Sul, Botsuana, Austrália e Estados Unidos.

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