WCCFlow
Quanto mais difícil f**a a tarefa, mais o corpo tenta encontrar um caminho mais fácil.
Nesse vídeo, meu joelho começa a entrar conforme a carga aumenta. Fiz alguns ajustes ao longo das séries e consegui melhorar, mas quando cheguei aos 220kg o erro apareceu de novo.
Não fiquei feliz quando assisti ao vídeo.
Mas foi justamente por isso que resolvi postar.
Treinar pesado não signif**a executar tudo perfeitamente. Signif**a observar, corrigir e entender que técnica não é algo que você conquista uma vez e leva para sempre. Ela precisa ser sustentada, principalmente quando a carga começa a desafiar você de verdade.
Às vezes, o vídeo que mostra um erro ensina mais do que o vídeo que mostra uma execução perfeita.
Existe uma diferença entre levantar um peso e carregar um peso.
Levantar exige força. Carregar exige força, equilíbrio, coordenação, estabilidade e a capacidade de continuar produzindo movimento enquanto o peso tenta mudar a sua postura a cada passo.
É por isso que eu gosto tanto dos carries.
Eles se parecem muito mais com a vida real do que muita gente imagina.
Você carrega um filho no colo, uma mala no aeroporto, as compras do mercado, um s**o de ração, uma caixa pesada durante uma mudança. Quase nunca basta tirar o peso do chão. Na maioria das vezes, você ainda precisa andar com ele.
Eu não treino só para levantar mais peso.
Eu treino para ser mais capaz fora da academia.
Quando o Tiago me procurou para retomar os treinos, a fratura já tinha consolidado, a cirurgia já tinha passado e a fisioterapia já tinha feito sua parte.
Mas uma conversa logo no início me chamou atenção.
“A perna que eu quebrei ainda está muito fraca.”
“Ainda falta confiança nela.”
E isso apareceu no primeiro treino. No agachamento estava tudo bem. Mas quando precisava pegar alguma coisa do chão, ele ainda protegia a perna operada sem perceber.
Foi aí que ficou claro que o próximo passo não era hipertrofia.
Era confiança.
Por isso gosto tanto de trabalhar com pessoas. O exercício é importante, mas quase sempre existe algo por trás dele. Às vezes é dor. Às vezes é medo. Às vezes é a sensação de que o corpo não responde mais como antes.
Os quase 300kg no leg press chamam atenção.
Mas o que eu vejo nesse vídeo é alguém voltando a confiar na própria perna.
Imprevistos acontecem.
Treinando, trabalhando, dormindo errado, carregando filho no colo, vivendo.
Dessa vez foi uma lesão no complexo fibrocartilaginoso triangular do punho esquerdo. Nada grave, mas o suficiente pra mudar a direção das próximas semanas.
Sem puxar.
Sem empurrar.
Sem sustentar carga no punho.
Então agora o treino muda.
Mais pernas.
Mais adaptações.
Mais estratégia.
Porque o problema nunca é o imprevisto. O problema é não saber o que fazer depois dele.
É exatamente isso que eu faço no GUIDED. Quando alguma coisa sai do plano, a gente reorganiza, ajusta a rota e continua o processo.
A carga muda o corpo.
A postura muda, a respiração muda, o jeito de se mover muda.
…e talvez uma parte importante do treino seja justamente essa: ensinar o corpo a continuar funcionando bem mesmo quando existe peso, esforço e desconforto.
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