Neves e Sousa
29/12/2014
Neves e Sousa fez o mural em grafite do Aeroporto Internacional de Luanda, com 345 metros quadrados, em homenagem aos povos e etnias de Angola. Também deixou painéis nalguns edifícios públicos e privados, nomeadamente no Museu de História Natural de Angola e no Hotel dos Navegantes, no Lobito.
A Palanca Negra idealizada por Neves e Sousa para símbolo da TAAG há quase 40 anos, continua a ser a imagem da transportadora aérea nacional.
29/12/2014
OBRA POÉTICA
Além da obra plástica, Neves e Sousa deixou uma grande obra literária. Mahamba foi o seu primeiro livro de poemas. A primeira edição inclui 56 poemas, escritos entre 1943 e 1949, e dez ilustrações. Seguiram-se os livros de poemas Batuque, Muenho, Macuta e Meia de Nada, Olohuma, Angola a Branco e Preto, além de outras publicações como Mulheres de Angola e Angola Minha Terra, que reproduzem quadros e aguarelas de Neves e Sousa.
“Todas as coisas que não conseguia transmitir a pintar, eu transformava-as em poesia. A terra e eu éramos uma só ideia”, escreveu o autor, que cantou “África de todas as maneiras que sabia e algumas que não sabia”, costumava dizer.
VIDA EM ANGOLA
A sua vida, definiu-a, como “uma espécie de jardim de cactos”, tão depressa estava cheia de flores, como, de repente, só de espinhos.
Os primeiros espinhos surgiram quando foi mandado para Luanda. De menino do mato, que falava Umbundo, caçava passarinhos, comia maboques, lohengos e lonchas, foi para um ambiente de cidade a “que não estava habituado”.
“O povo falava Kimbundo”, que já não entendia e a língua de Camões, que excomungou por várias vezes, estava cheia de palavras novas.
Com o apoio do jornal a província de Angola, Neves e Sousa fez as primeiras exposições no Andulo e em Luanda, em 1936 e 37.
Integrado numa missão etnográf**a que recolhia material para o Museu de Angola, Neves e Sousa desenhou e pintou “meia” Angola, nomeadamente Quissama, Moxico e Dembos. “Embebia-me de paisagem com embondeiros enormes que marcaram uma época.Angola tomava, a pouco e pouco, conta de mim”.
Esta missão —com o fim de recolha de elementos de natureza etnográf**a e interesse turístico para o governo — permitiu ao pintor guardar em desenho e apontamentos os costumes, gentes e paisagens angolanas, desde as florestas de Cabinda ao deserto do Namibe.
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Luanda