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21/07/2026

FC Porto: um embuste chamado ‘Cardoso Varela’.

Dias atrás recebi uma mensagem do titular da conta no X (ex-Twitter), uma página que cobre a atualidade dos dragões, com uma foto de uma equipa de jovens do 1º de Agosto, com o seguinte pedido: ‘Será que me pode ajudar a identificar o Cardoso Varela?’.

Na impossibilidade de o satisfazer, encaminhei a imagem a um ex-membro da equipa angolana, que me respondeu: ‘Eu não conheço o Cardoso Varela, conheço o Petilson’.

E devolveu uma foto onde a nova aquisição do FC Porto, perdoado por tudo e por todos neste regresso a casa, aparece.
É aqui que começa o escândalo.
Porque, contrariamente ao que nos contaram durante todos estes anos, Cardoso Pinto Mandume Varela, nascido a 28.10.2008, simplesmente não existe. Melhor, foi fabricado. Resta saber por quem e com qual objetivo.
Quem existe é Petilson Carlos Mandume Vihemba, nascido a 20.07.2004 (quatro anos de diferença), inscrito na época no 1º de Agosto. Dados fornecidos pela nossa fonte que, por óbvias razões, a vamos manter anónima, assim o obriga a deontologia. Nesse ínterim, Petilson simplesmente desaparece do radar futebolístico angolano em 2022.

Para reaparecer no monitor da funcionária da Loja do Cidadão das Laranjeiras como Cardoso Varela, mantendo o nome da mãe, já com a nacionalidade portuguesa. Esta concedida a 6 de junho de 2022 por solicitação eletrónica, requerida por Yasmine da Costa, uma proeminente advogada envolvida no conturbado caso dos Panamá Papers.
Interrogada sobre qual dos genitores é português, a funcionária assusta-se: ‘Nenhum dos dois! Vá ao MAI e pergunte a quem tratou deste processo.’

Ou seja: Cardoso Pinto Mandume Varela torna-se cidadão português em um piscar de olhos sem ter antecedentes portugueses. O MAI que explique.

Dois meses depois do presidente André Villas-Boas ter declarado publicamente em entrevista à TVI que o jogador jamais voltaria ao FC do Porto, a nossa fonte surpreende-se com a virada de jogo da estrutura dos dragões: ‘ Na gestão do Vítor Bruno, perguntaram-me sobre este jogador e eu expliquei aquilo que sabia. Que a sua idade e identidade tinham sido alteradas’.

Mesmo com essa informação, o FC do Porto foi em frente e decidiu trazer o jogador de volta, vendendo a ideia aos sócios de que ‘há que lhe dar uma nova oportunidade porque é recuperável’. Com figuras como Jorge Amaral e Miguel Guedes a manifestarem-se publicamente a favor.

Continua a nossa fonte: ‘Ele é bom jogador, sem dúvida, mas o que não é aceitável é que se barre o caminho a outros jogadores mais jovens para dar espaço a um atleta que começa a mostrar dificuldades no futebol sénior, como se viu no Dínamo de Zagreb, onde é maior a exigência’.

Que também não entende a postura da FPF na gestão deste caso: ‘No mínimo, a Federação poderia ter pedido à sua congénere informações sobre um jogador que chegou de Angola sem nenhum histórico’. João Leal, o Pinocchio da FPF, que explique.

Em resumo: entre outras coisas, Cardoso Varela representa a grande derrota do jornalismo desportivo português. Em quatro anos, nenhum órgão de informação teve o cuidado de ir a Angola e perguntar de onde raio saiu este Cardoso Pinto Mandume Varela.

Teriam certamente evitado este desplante ao FC do Porto, de trazer para o Olival um jogador que tem mais quatros dos que constam no seu BI.

29/06/2026

Vata e Abel Campos, os angolanos do SLB.

Os dois ingressaram no Benfica na época 1988/89.
Vata, procedente do Varzim.
Abel, vindo do Petro de Luanda.

Apesar de ter sido melhor marcador do Benfica logo na primeira época, Vata ficou imortalizado pelo famoso golo com a mão contra o Marselha, nas meias-finais da então Taça dos Clubes Campeões Europeus em 1990.
Jogo empatado a zero, o Benfica precisava de ganhar para ir à final contra o AC Milan.
O minuto 83 foi o momento de glória - e polémica - do Vata, em canto batido por Valdo.
Até hoje, jura a pés juntos que tenha sido com a mão.

Se fora eram bons amigos, Vata e Abel entendiam-se às maravilhas dentro do campo.
Reza a história que foi Abel Campos que centrou para Vata marcar o primeiro golo na final da Supertaça Cândido de Oliveira (1989) contra o Belenenses, ganha pelo Benfica.
Em 1990, deixou a Luz e foi para o Estrela da Amadora, treinado por Manuel Fernandes com um jovem José Mourinho como... adjunto.

29/06/2026

Caso Ryan Mendes: cai uma nódoa no pano de Cabo Verde.

Ser humano é uma desgraça.
Estava lindo demais o conto de fadas da seleção de Cabo Verde neste Mundial, a grande sensação do torneio.

Vamos por partes.

Conheço o Ryan desde os tempos em que acompanhei o Jota, seu representante na época, que o levou do Batuque para o Le Havre em 2008.
Um rapaz simples, que, então com 18 anos, soube aproveitar a oportunidade que o futebol lhe deu.
Impôs-se, passou para o Lille e daí para o Nottingham Forest.

Ou seja, aos vinte e poucos anos, o Ryan já falava quatro idiomas: portugês, crioulo, francês e inglês. Como passou pelo mundo árabe e está na Turquia, estamos perante um poliglota.

Passemos aos fatos.

Cabo Verde participou de um torneio organizado pela FIFA na Nova Zelândia. Uma intérprete (brasileira) é contratada para acompanhar os cabo-verdianos, como manda a praxe.

Mas certamente não para traduzir o poliglota Ryan.

Três meses depois, nas vésperas do embate mais importante na história du futebol de Cabo Verde, e quem sabe, da África, surge a notícia do 'estupro' do capitão da seleção.

Que o homem a teria até tentado estrangular.

Ou seja, vendem-nos a ideia de um selvagem esfomeado de s**o.

Como fizeram com o Achraf Hakimi, do Marrocos. Como fizeram com o Thomas Partey, do Ghana.
Os africanos, sempre os maus da fita.
Alvo das marias-chuteiras da vida.
E, curiosamente, a exclusiva é dada por um site brasileiro, o GE (Globo Esporte).
Que não identifica a fonte, 'para preservar a sua privacidade'.
Joga a pedra e esconde a mão.

Cuja imprensa online - 99% das publicações no google sobre o assunto são brasileiras - não condenou o Ryan. Já o crucificou.

É óbvio que alguma coisa aconteceu lá na Nova Zelândia.
Dizem que a polícia local está a 'investigar'.
Caramba, três meses e ainda não conseguiram extrair as imagens do circuito interno de vigilância do hotel.

E que, segundo o GE, a suposta agredida teria mandado mensagens a uma certa Sol Cabral, funcionária da Federação de Cabo Verde, e a Gerson Gomes, o manda-chuva da seleção, e que este teria respondido que 'era um assunto pessoal do Ryan Mendes'.
Seja.
A FIFA entrou na festa e diz estar em 'contacto' com as autoridades neozelandesas.

Que esteja. Mas que não erre. Já pisou na bola com o árbitro da Somália. A quem ofereceu um cala-a-boca de 100 mil e este respondeu que honra não se vende.
A próxima reeleição de Infantino depende de 53 votos africanos.

Foto: Instagram

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