SEM LUVAS Podcast
20/04/2026
Não se pode, em hipótese alguma, normalizar a falta de material e de condições de trabalho. O que é básico para salvar vidas não pode ser tratado como opcional.
Até que ponto realmente, o maior valor é a vida?
Conhecimento que toda pessoa deveria ter:
Quando levares o teu filho ao hospital por causa de febre, e o técnico de saúde fizer um teste rápido de malária cujo resultado seja negativo…
• Não aceites que te digam apenas:
- “a criança não tem malária”, enquanto te passam uma receita com qualquer antibiótico (geralmente amoxicilina ou cotrimoxazol) e paracetamol.
• Não saias sem perguntar:
- “Se não é malária, então o que é?”
A malária não é a única causa de febre.
E as diferentes doenças que causam febre têm diferentes formas de tratamento é muitas delas não precisam de antibiótico.
Entender o diagnóstico é parte do tratamento.
No fim do turno, faça estas perguntas a si mesmo:
• Se fosse comigo… eu aceitaria o atendimento que proporcionei a cada um que entrou em contacto comigo hoje?
• Se a minha mãe me ligasse hoje e explicasse que um colega a atendeu da mesma forma que eu atendi aquela velhinha indefesa, vulnerável e sem condições… eu ficaria orgulhoso do meu colega?
Se a resposta for SIM, pode ir ter o seu descanso, pois é merecido.
As condições materiais são essenciais e por vezes indispensáveis, não há matéria para discussão aqui e quem discorda é inimigo do povo.
Mas a consciência profissional, a responsabilidade para com a vida humana, devem ser inalienáveis.
A área de saúde não é qualquer, é nobre porque lida com o que temos de mais valioso num momento de total vulnerabilidade, por isso devemos acima de tudo não fazer o mal, não piorar a situação do paciente.
O sistema de saúde em Moçambique tem falhas gravíssimas, mas a forma como TU ENQUANTO PROFISSIONAL DE SAÚDE tratas as pessoas… é SUA escolha diária.
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