Abstract Reveries

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10/07/2025

Sou filha da alvorada e do silêncio das flores
minha alma veste véus de cetim e esperança
e no meu peito há um trono feito de suspiros
onde teu nome repousa como uma joia rara

Caminho entre os jardins do impossível
com passos de dança e olhos de lua cheia
cada flor se inclina à minha passagem
não por quem sou
mas por tudo que o amor me fez ser

Minha voz é feita de cristal encantado
e meus pensamentos de pólen e marfim
mas é quando pronuncio teu nome
como quem invoca a própria essência
que o mundo se curva rendido ao encanto

Tu vieste como um príncipe de eras adormecidas
não precisaste de cavalos ou espadas
apenas um olhar teu e as muralhas caíram
e meu coração castelo selado por mil estações
abriu seus portões de rendas e segredo

Teu toque não fere ele coroa
com dedos feitos de promessas sagradas
e em teus braços não sou mulher comum
sou realeza de alma
sou deusa de um conto que só nós sabemos contar

Nossos beijos têm sabor de eternidade em festa
e nossos corpos ao se entrelaçarem
não fazem ruído
fazem poesia fazem reino fazem luz

Tu és meu cavaleiro e meu céu bordado
meu juramento diante do infinito
e eu tua princesa de pétalas suaves
que não espera ser salva
mas que te escolhe para reinar ao meu lado
num império feito de carícias e constelações

E mesmo que o tempo se transforme em dragão
e as noites tragam espinhos e sombras
serei tua com a cabeça erguida
a ti rendida mas nunca apagada
pois um amor como o nosso
não se vive em páginas breves
mas em lendas que o vento espalha
e que a eternidade repete
em cada nova aurora

Giovanna Tuzin

04/07/2025

Epifania Abissal

Na cripta do éter, murmura o silente arcano,
Submerso em celestes abismos de obsidiana,
Onde o tempo, em parélio, curva-se insano
À espiral do vórtice que a razão profana.

Lá onde as quimeras de âmbar se transfiguram,
Nas sinapses do vácuo que o verbo recusa,
Astrolábios etéreos, em órbitas, sussurram
Liturgias de uma luz que jamais se usa.

Circunlóquios do ser, em palimpsestos velados,
Reluzem na carne do cosmos em flor,
Cometas em êxtase, versos acastelados,
Entoam o cântico do indizível fulgor.

Irrompe a essência num axioma opalescente,
Do âmago ignoto da alma pluriversa,
Com ares de absinto e jade incandescente,
Erige-se a antífona da noite submersa.

Ó Enigma, tu que vestes véus de heliotropo,
Desvenda-me a cifra do caos primitivo!
Pois sou lágrima do zênite, errante e estóico,
Num espelho sem forma, translúcido e cativo.

E assim, dissoluto em neblina e platina,
Existo onde os astros esquecem seus nomes,
Numa fábula astral de essência divina,
Onde os sonhos devoram seus próprios renomes.

Ass: Eu

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Piracicaba, SP